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Queda de avião com time da Chapecoense

Membros de equipe de resgate vistos em meio a destroços após acidente aéreo com jogadores da Chapecoense na Colômbia

Membros de equipe de resgate vistos em meio a destroços após acidente aéreo com jogadores da Chapecoense na Colômbia. 29/11/2016

LA UNIÓN, Colômbia/Chapecó / BC, Santa Catarina, Brasil.- O avião fretado que levava o time da Chapecoense para o maior jogo da história da equipe caiu na Colômbia, matando ao menos 75 pessoas, no pior acidente do futebol brasileiro, que destruiu o sonho de um time que virou exemplo de sucesso.

No local da tragédia, em La Unión, perto de Medellín, dezenas de corpos estavam espalhados e cobertos com folhas ao redor dos destroços da aeronave, segundo um fotógrafo da Reuters nesta terça-feira. Cerca de 30 socorristas e policiais vasculhavam o avião, que levava 81 pessoas quando caiu na noite de segunda-feira.

A aeronave, um BAe 146 que realizava um voo fretado, se partiu em dois, e apenas o bico e as asas estavam reconhecíveis, enquanto a cauda ficou completamente destruída pelo acidente, segundo o fotógrafo.

A Chapecoense estava a caminho de Medellín para enfrentar o Atlético Nacional na quarta-feira na partida de ida da final da Copa Sul-Americana, a primeira decisão da história do clube do interior de Santa Catarina que de destacou nos últimos anos no futebol nacional pelo boa gestão acompanhada de resultados inesperados para uma equipe de menor porte.

O chefe do departamento de aviação civil da Colômbia, Alfredo Bocanegra, disse nesta terça de manhã que foram confirmadas 75 mortes, com seis sobreviventes feridos. Segundo ele, o número de mortos pode aumentar.

Quatro jogadores do clube foram resgatados pelas autoridades com vida, os goleiros Danilo Padilha e Jakson Follmann, o lateral Alan Ruschel e o zagueiro Neto, mas Danilo não resistiu aos ferimentos e morreu posteriormente. Outros dois sobreviventes foram resgatados, segundo autoridades.

“Era a motivação da cidade, jogavam por amor à camisa e não por dinheiro. Jogavam com garra, só quem mora aqui sabe o que eles fizeram pelo time. Saíram da Série D e chegaram na final da Sul-Americana. Eram feras demais”, disse à Reuters o estudante Jean Panegalli, de 17 anos, em Chapecó, onde centenas de pessoas se reuniram do lado de fora do estádio do time, a Arena Condá, após a tragédia.

O mundo do futebol prestou diversas homenagens. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) suspendeu a partida em Medellín. A Confederação Brasileira de Futebol também suspendeu a final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético Mineiro, que seria disputada na quarta-feira.

VOO FRETADO

O avião colidiu em uma área rural de montanhas nos arredores de Medellín, e a chuva forte chegou a interromper as operações de busca e resgate em um determinado momento.

O serviço de acompanhamento de voos Flightradar24 disse no Twitter que o último sinal do voo 2933 foi recebido quando o avião estava a 15.500 pés, a cerca de 30 quilômetros do destino, que ficam a 7.000 pés de altitude.

O avião Avro RJ85 foi fabricado por uma empresa que atualmente faz parte da britânica BAE Systems.

O voo fretado carregava 72 passageiros e 9 tripulantes quando caiu por volta das 22h15 da segunda-feira. Segundo a mídia brasileira, 21 jornalistas estavam a bordo para cobrir a partida.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que recusou um pedido da empresa aérea boliviana Lamia para transportar a Chapecoense diretamente do Brasil para a Colômbia com base no Código Brasileiro de Aeronáutica (CBAer) e na Convenção de Chicago, que trata dos acordos de serviços aéreos entre os países.

“O acordo com a Bolívia, país originário da companhia aérea Lamia, não prevê operações como a solicitada”, disse a Anac em nota oficial. Com a recusa da Anac, o time da Chapecoense voou primeiramente do Brasil para a Bolívia, e de lá saiu em um voo da Lamia com direção a Medellín.

LUTO

O presidente Michel Temer declarou, em nota, que o governo estava disponibilizando todos meios necessários para ajudar os familiares das vítimas e dar toda a assistência possível.

“Nesta hora triste que a tragédia se abate sobre dezenas de famílias brasileiras, expresso minha solidariedade”, afirmou Temer. O governo federal decretou luto oficial de três dias e colocou a Aeronáutica e o Itamaraty à disposição para auxiliar familiares e prestar toda a assistência possível.

O Ministério da Defesa informou que duas aeronaves C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) e uma equipe de profissionais especializados em resgate estão de prontidão para auxiliar no resgate e traslado dos brasileiros vítimas do acidente. Foram disponibilizadas ainda duas aeronaves para transportar familiares das vítimas.

A Fifa prestou solidariedade em mensagem no Twitter, e o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, afirmou em que nota que o acidente representa “uma das mais trágicas páginas da história do esporte brasileiro”.

A Chapecoense havia se classificado para o maior jogo de sua história ao derrotar o time argentino San Lorenzo na semifinal na Sul-Americana, no auge de uma história recente em que o time saiu da Série D para a elite do Campeonato Brasileiro em apenas seis anos.

“É complicada a dor. Eu que estou há muito tempo envolvido na Chapecoense, sei o que passamos até aqui. Agora que chegamos, não vou dizer no auge, mas em destaque nacional, acontece uma tragédia dessa. É muito difícil, uma tragédia muito grande”, disse o vice-presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo, em entrevista à TV com os olhos marejados, dentro da Arena Condá, estádio da Chapecoense que era uma das forças do time.

O time construiu seu sucesso tendo como filosofia a organização administrativa, salários em dia e boa infraestrutura de trabalho. Entre os destaques do clube estavam o meio-campista Cléber Santana, ex-jogador do Atlético de Madri, e o técnico Caio Júnior, com passagem por diversos clubes do futebol brasileiro e também do exterior.

O acidente fez lembrar uma desastre aéreo de 1958 em Munique que matou 23 pessoas, incluindo oito jogadores do Manchester United e jornalistas.

By Reuters – Freddy Builes e Paulo Whitaker. Reportagem adicional de Julia Symmes Cobb, Helen Murphy e Luis Jaime Acosta, em Bogotá.