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Buscam “Plano B” para acordo de paz com as FARC

Imagen de archivo de una patrulla compuesta por integrantes de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia cerca de un camino en San Vicente del Caguán

Imagem de arquivo de um pelotão das FARC Reuters/José Gómez

BC, SC, Brasil.- Após a vitória do “não” no referendo sobre o acordo assinado entre o governo colombiano e os líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente Juan Manuel Santos tenta por em prática uma espécie de “Plano B” para a paz.

Depois uma reunião com os principais líderes de partidos do país, o presidente informou que todos respaldaram a formação de uma “comissão ampla”, que permita um “diálogo nacional” para a paz.

Principal “vencedor” do referendo, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe foi convidado, mas não compareceu ao encontro. Em nota, sua sigla, o Centro Democrático, afirmou que vai “apoiar um grande pacto nacional” desde que sejam ouvidas suas motivações.

Uribe foi o grande opositor ao documento assinado entre Santos e Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido por “Timochenko”, que pôs fim a 52 anos de conflito armado. O ex-presidente não aceitava, por exemplo, a troca de penas judiciais por penas mais brandas de trabalho voluntário ou reformas na legislação – conforme previa o documento assinado oficialmente. Sabendo de sua vitória, Uribe já informou que impõe condições para o novo acordo.

“Queremos um grande pacto nacional e nos parece fundamental que, em nome da paz, não se criem riscos aos valores que a tornem possível. Insistimos em punições para que haja respeito à Constituição, não substituição. Pluralismo político sem que possa haver prêmio ao crime. Política social sem colocar em risco as empresas”, disse Uribe.

Toda a negociação de paz ocorreu em Havana (Cuba) e contou com o respaldo da comunidade internacional, envolvendo até mesmo a participação de um representante do Vaticano. No entanto, a oposição a Santos reclamava que não era consultada sobre as decisões e que ficou “de fora” do pacto.

Por isso, os líderes das negociações voltaram a se reunir para definir o que farão e o que aceitam mudar no acordo, a fim de tentar alcançar a paz. O chefe das negociações do governo, Humberto de la Calle, anunciou que colocou o cargo “à disposição” do presidente Santos porque não será um obstáculo para o que vai acontecer. “Mas, repito, sempre continuarei a trabalhar pela paz sem parar, no local onde eu puder ser útil”, acrescentou o negociador – que foi mantido no cargo.

Por sua vez, as Farc anunciaram que vão permanecer na mesa de negociações para buscar novo acordo.

O conflito armado entre a Colômbia e as Farc é considerado o mais longo da história das Américas. Apesar de ter sido chancelado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela comunidade internacional, o acordo foi rejeitado por 50,23% dos votantes, em um referendo que registrou mais de 64% de abstenção.

Cabe assinalar que a informação foi facilitada no dia 5 de outubro pela Agência Brasil (EBC).