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Em mensagem, Cristina Kirchner diz ser uma perseguida política Arquivo/José Cruz/Agência Brasil

BC, SC, Brasil.- A ex-presidente argentina Cristina Kirchner enfrenta um momento delicado e uma ameaça judicial. Dezenas de propriedades suas na Patagônia foram alvos de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (30), ordenado pelo juiz federal de Buenos Aires Claudio Bonadio.

A medida faz parte de uma investigação sobre a empresa imobiliária Los Sauces, fundada pelo ex-presidente Néstor Kirchner, que teria assinado contratos de aluguel fictícios com o empreendedor do ramo de construção civil Lazaro Baez para mascarar obras públicas sem licitação e pagamentos de propinas.

As buscas foram feitas nas propriedades de Rio Gallegos, El Calafate e El Chalten, além de outras cidades da Patagônia, e provocaram uma forte reação de Cristina, que, em uma série de twitters, atacou o atual presidente, Mauricio Macri, os juízes argentinos e alguns jornais.

Em uma das mensagens, Cristina disse ser “uma perseguida política”. Baez está preso desde o início de abril, por ordem do juiz Sebastian Casanello, por lavagem de dinheiro. A detenção foi confirmada hoje pela Câmara Federal de Buenos Aires, que também pediu que Casanello investigue Cristina Kirchner e funcionários de seu governo devido aos “estreitos vínculos” com o empresário.

Caso seja processada, Cristina pode responder pelo crime de negociações incompatíveis com a função pública. Esta é a segunda vez que Cristina foi alvo de uma operação de busca e apreensão em dois meses.

Além desse caso, a ex-presidente responde por um processo pela venda de dólares no mercado futuro a valores abaixo dos de mercado, em operações realizadas no fim de 2015 pelo Banco Central, quando ela ainda ocupava a Casa Rosada. A manobra causou prejudízo de 77 bilhões de pesos (cerca de R$ 16, 5 bilhões).

Cristina foi presidente da Argentina entre 2007 e 2015, sucedendo seu marido no poder.