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Foto: ISAF Headquarters Public Affairs Office (Creative Commons)

Foto: ISAF Headquarters Public Affairs Office (Creative Commons)

Rio de Janeiro.- A Missão das Nações Unidas no Afeganistão mostrou preocupação nesta quarta-feira (20) com os atos de intimidação ao repórter do jornal The New York Times, Matthew Rosenberg, que foi proibido de deixar o país e está sendo investigado por um artigo de sua autoria.

“As tentativas destinadas a prevenir um representante da mídia de exercer livremente suas funções demonstram um respeito preocupante pela liberdade de expressão”, disse o chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), Ján Kubiš. “A liberdade da mídia é crítica para uma sociedade saudável e os jornalistas devem poder trabalhar em um clima livre de intimidação”.

Rosenberg foi informado de que ele não poderia deixar o Afeganistão na última terça-feira (19) porque se encontrava sob investigação relacionada com um artigo que ele havia escrito na véspera. Após se negar a revelar os nomes das suas fontes — oficiais afegãos citados de forma anônima no texto –, a Procuradoria Geral do Afeganistão anunciou que expulsaria Rosenberg do país. Ele já deixou o país, segundo informação do próprio jornalista pelo Twitter.

A Missão da ONU instou as autoridades afegãs a revisar urgentemente suas ações à luz do devido processo, leis nacionais e obrigações internacionais do Afeganistão para salvaguardar a liberdade de imprensa no país.

Aumento de violência contra jornalistas

O Comitê de Segurança dos Jornalistas Afegãos registrou um aumento de 60% de casos de violência contra os profissionais da mídia nos últimos seis meses. Dos 68 casos registrados entre janeiro e junho de 2014, dois estão relacionados com a morte da fotógrafa alemã Anja Niedringhaus e os disparos contra a jornalista canadense Kathy Gannon enquanto cobriam para a Associated Press a preparação das eleições presidenciais no país.

A corrida pela Presidência foi indicada como uma das causas para o aumento significativo de atos violentos contra a mídia no Afeganistão na primeira metade desse ano. O Comitê também ressaltou que nenhum dos candidatos, que ainda aguardam o resultado da recontagem de votos, apresentou um plano concreto para promover a liberdade de imprensa no país.

Segundo o Comitê, 63% dos casos de violência foram cometidos por organismos associados ao governo afegão, incluindo as forças de segurança do país; 11,8% pelos Talibãs e 8,8% por senhores da guerra e outros comandantes, enquanto o restante não pode ser atribuído a um grupo específico. 

É preciso assinalar que a informação foi divulgada , em idioma português, pela Onu Brasil, no dia 21 de agosto.

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