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Depois de ter perdido tudo, muitos refugiados palestinos deslocados da Síria tem uma refeição por dia, à base de vegetais ou grãos. Carne e peixe são raros devido ao alto custo. Foto: Kate Brooks/UNRWA

Depois de ter perdido tudo, muitos refugiados palestinos deslocados da Síria tem uma refeição por dia, à base de vegetais ou grãos. Carne e peixe são raros devido ao alto custo. Foto: Kate Brooks/UNRWA

Rio de Janeiro.- A principal autoridade humanitária das Nações Unidas no Líbano advertiu nesta segunda-feira (14) sobre as implicações para o Líbano, devido ao número crescente de refugiados no país cresce em meio ao conflito em curso na Síria, assim como as crises no Iraque e, agora, em Gaza.

“Em meio à matança que estamos vendo em Gaza, a matança contínua na Síria e novos confrontos no Iraque, o Líbano – que no momento tem a maior proporção de refugiados do mundo – está enfrentando uma crescente tensão e está em perigo de vê-la piorar”, afirmou o coordenador humanitário da ONU no Líbano, Ross Mountain, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Ele disse que cerca de 12 mil novos refugiados sírios estão entrando Líbano por semana, com o número podendo chegar a 1,5 milhão até o final do ano – o que representa um terço da população do país.

“Quando você tem 50 ou 100 mil refugiados no país, é uma emergência de refugiados. Quando você tem um quarto da população do país, com um terço estimado até o final deste ano em relação à população total do país, trata-se de uma calamidade nacional”, disse Mountain.

Ele observou que a maioria dos refugiados sírios são hospedados por comunidades pobres no Líbano e a competição pelos recursos pode causar atrito e tensão entre os grupos.

Classificando a situação como “uma fórmula para aumentar as tensões”, Mountain disse temer que o problema só piore e não resulte apenas em hostilidades sírio-libanesas, mas levem também a eventuais problemas dentro do Líbano.

“O Líbano passou por uma guerra civil cerca de 25 anos atrás. A região não precisa de outro país nesta circunstância”, disse ele.

Mountain sublinhou a necessidade urgente de os países cumprirem as suas promessas para o plano de resposta humanitária de 1,6 bilhão de dólares para os refugiados sírios que vivem no Líbano, que até o momento está apenas 29% financiado.

Em setembro passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou o Grupo de Apoio Internacional para o Líbano, para ajudar o país a resolver os seus múltiplos desafios, incluindo o recebimento de um grande número de refugiados.

Mountain disse que a solidariedade política e o “apoio moral” não tem sido acompanhados pelo apoio financeiro.

Cabe assinalar que a informação, no idioma português, foi divulgada pela ONU Brasil, no dia 15 de julho.