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Encontrando refúgio na região do Curdistão iraquiano

Esses irmãos encontraram abrigo com sua família em uma escola primária na província de Duhok, no Curdistão iraquiano. Encontrar abrigo para a maioria dos refugiados que fugiram dos últimos conflitos no Iraque é o maior desafio.

Esses irmãos encontraram abrigo com sua família em uma escola primária na província de Duhok, no Curdistão iraquiano. Encontrar abrigo para a maioria dos refugiados que fugiram dos últimos conflitos no Iraque é o maior desafio. Foto ACNUR

POSTO DE CONTROLE DE KHAZAIR, Iraque.– Eles saíram na pressa. Um fazendeiro abandonou sua colheita no campo. Uma mãe fugiu com seu recém-nascido de apenas seis dias enrolado em roupas brancas. Outra mulher conseguiu trazer apenas uma coisa: sua carteira de identidade. Assim relatam a situação Rocco Nuri e Liene Veide no Posto de Controle de Khazair, Iraque.

Diz ACNUR que, cerca de 300.000 iraquianos, pela contagem oficial, fugiram do conflito no norte do Iraque e buscaram abrigo em uma região do Iraque relativamente pacífica, o Curdistão, na semana passada. A maioria fugiu da violência na segunda maior cidade iraquiana, Mosul.

Alguns encontraram refúgio com amigos e parentes. Outros estão abrigados em mesquitas e escolas vazias. No entanto, encontrar abrigo para essa “maioria” que fugiu dos últimos conflitos no Iraque é o “maior desafio”, disse a Representante do ACNUR no Iraque, Shoko Shimozawa.

A Agência da ONU para Refugiados e seus parceiros na região, incluindo o governo local, estão direcionando as famílias mais vulneráveis para a assistência emergencial, ela disse. Contudo, “com a repentina movimentação em massa das pessoas, há a preocupação de que possa haver mais deslocamentos se o conflito não acabar. Nós precisamos urgentemente de fundos adicionais para satisfazer as necessidades básicas das pessoas”.

Essas necessidades estão aumentando. Tayba, de 48 anos, é uma viúva e mãe de cinco filhos. Ela chegou ao posto de controle na fronteira norte do Iraque no mesmo dia em que a cidade de Mosul caiu, na semana passada. “Havia bombas, tiroteios e balas – até mesmo no jardim da nossa casa”, ela relembra.

Ela e seus filhos saíram de casa e assistiram seu vizinho sendo baleado na cabeça durante um fogo cruzado. Ele morreu na frente deles. “Estavam atirando em diferentes direções, nós não podíamos nem ao menos dizer de onde os tiros estavam vindo”, disse ela, gesticulando freneticamente.

Eventualmente, Tayba e três de seus cinco filhos, incluindo sua filha de 11 anos que possui uma deficiência, encontraram um meio de transporte para a fronteira. O carro ficou sem gasolina, mas outro transeunte deu carona à sua família até o posto de controle de Khazair, onde ela falou com o ACNUR. “Eu não sei por que a situação está assim”, disse ela. “Isso é muito ruim. No Iraque, a guerra não acaba. Ela continua acontecendo. Eu ficarei aqui até que eles me digam que a situação na minha casa está segura”.

Fawzya, uma mãe de 10 filhos, está enfrentando uma situação semelhante. Ela fugiu de sua casa em Mosul na semana passada, no meio da noite, com apenas sua carteira de identidade no bolso. “Meus filhos estavam todos chorando e amedrontados”, ela conta. “Alguns estavam doentes. Outros mal conseguiam andar. No entanto, tínhamos que sair”.

Alguns dos novos deslocados estão vivendo a céu aberto, em parques ou áreas edificadas. Outros estavam amontoados em quartos de hotel com outras famílias, embora as economias para pagar por esses quartos estejam acabando. Crianças que estavam mendigando na cidade de Erbil disseram que estavam tentando conseguir dinheiro suficiente para pagar por uma noite de descanso para suas famílias.

O ACNUR e seus parceiros, incluindo o governo local, estão fornecendo barracas, comida, utensílios de cozinha e suprimentos de emergência. Um campo de trânsito foi criado em Khazair, na provincial de Erbil, pelas autoridades locais, e outro está em construção em Garmawa, na província de Duhok, mas já começou a aceitar pessoas.

“Nós tínhamos uma vida boa”, disse Amal Mahmood Ismail, 44 anos, mãe de cinco filhos, dos quais nem todos vieram com ela por segurança. “Não éramos nem ricos e nem pobres. Tomávamos café da manhã juntos todas as manhãs”, ela pausou para poder enxugar as lágrimas. “Minhas filhas estão aqui, mas meus filhos estão em algum lugar. Meu marido está doente – e meu coração está quebrado”.

Para o ACNUR e seus parceiros que trabalham para ajudar pessoas como Amal, e que de repente se viram apanhados por um novo capítulo da guerra, os desafios são óbvios.