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Treinamento de jornalistas apoiado pela UNESCO no Haiti, em 2011. Foto: UNESCO/Mehdi Benchelah

Treinamento de jornalistas apoiado pela UNESCO no Haiti, em 2011. Foto: UNESCO/Mehdi Benchelah

Rio de Janeiro, Brasil.- Embora o progresso tecnológico e modelos de negócios inovadores tenham expandido as oportunidades de liberdade de expressão, eles também têm permitido novas ameaças, como a censura na internet, alertou nesta terça-feira (25) a UNESCO.

“A liberdade de expressão é essencial para a dignidade, o diálogo, a democracia e o desenvolvimento sustentável”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, que apelou para um maior compromisso no apoio à liberdade de imprensa, no lançamento do relatório “Tendências Mundiais da Liberdade de Expressão e do Desenvolvimento da Mídia”, em Estocolmo, na Suécia.

“Precisamos agir firmemente, para fortalecer os quadros legislativos de cada país, para treinar jornalistas, para desenvolver a capacidade e avanço dos meios de comunicação e da informação. Temos que continuar apoiando a independência da mídia, promovendo padrões profissionais e de auto-regulamentação”, disse ela.

O relatório da agência da ONU elogia as oportunidades que as novas tecnologias proporcionaram aos indivíduos, mas, ao mesmo tempo, adverte sobre “o aumento do controle de conteúdo online por intermediários da internet, tais como sites de busca e redes sociais, que ameaçam a transparência no fluxo livre de informação e levantam preocupações sobre a ‘privatização da censura’”.

Segundo a UNESCO, os jornalistas e usuários da Internet enfrentam novas ameaças relacionadas com a sua segurança na esfera digital.

Com foco especial na mídia global e nas dimensões de gênero da liberdade de imprensa, o estudo foi liderado pela UNESCO, em parceria com um grupo consultivo de 27 especialistas internacionais da sociedade civil e do meio acadêmico, com o apoio do governo da Suécia. Ele analisa as tendências da liberdade de imprensa no mundo desde 2007, a partir de quatro ângulos: a liberdade, o pluralismo, a independência e a segurança dos jornalistas.

O relatório revela que, apesar do contínuo domínio econômico de várias empresas de comunicação, que estão nos meios tradicionais e online, a grande expansão das fontes de informação e plataformas tem impactado positivamente o pluralismo da mídia. No entanto, a liberdade de imprensa “perdeu força em algumas regiões que experimentaram transições políticas”, adverte a UNESCO, acrescentando que “exclusividade e auto-censura permanecem como desafios para jornalistas em todo o mundo. ”

Além disso, enquanto os novos modelos de negócios têm facilitado o trabalho de jornalistas independentes, por exemplo, através de organizações jornalísticas de investigação sem fins lucrativos, o relatório denuncia que o “Estado ou a publicidade pública continuam afetando o jornalismo independente”.

O documento observa que a empresa brasileira “Globo Comunicação e Participações LTDA” é uma das 50 maiores corporações internacionais de mídia do mundo em termos de receita.

O estudo aplaude o crescimento da conscientização sobre a importância da segurança dos jornalistas em todo o mundo desde 2007 – devido, em grande parte, à implementação do “Plano de Ação da ONU sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade”.

Porém, o número de assassinatos de jornalistas continuou a subir. De acordo com dados da agência, 430 jornalistas foram mortos entre 2007 e 2012, incluindo 23 mulheres.

O documento observa que elas enfrentam crescentes formas de intimidação e abuso, incluindo abuso sexual. Apesar das zonas de conflito no mundo serem os lugares mais perigosos para os jornalistas, no período do estudo a maioria morreu fora dessas áreas, e a impunidade para esses crimes continua sendo norma, observa o relatório.

É Preciso dizer que, a informação foi divulgada, no dia 26 de março, em idioma português, pela ONU Brasil