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Conflito entra no quarto ano

Líbano abre fronteiras para receber refugiados sírios. Foto: ACNUR/M. Hofer

Líbano abre fronteiras para receber refugiados sírios. Foto: ACNUR/M. Hofer

Rio de Janeiro, Brasil.- O conflito na Síria entra quarto ano e é preciso refletir sobre a longa e crescente lista de horrores que ocorrem diariamente no país, afirmou o secretário-geral da ONU em nota divulgada nesta quarta-feira (12). Ban Ki-moon voltou a apelar para que as partes na Síria e a comunidade internacional se esforcem para acabar com a guerra e a maior crise humanitária da atualidade. Ele pediu, ainda, que Rússia e Estados Unidos – países que lideraram o processo de paz conhecido como Conferência de Genebra sobre a Síria – reavivam as negociações.

Ban lembra que o povo tomou as ruas em março de 2011 em protestos pacíficos contra o presidente Bashar Al-Assad, como parte do movimento conhecido como Primavera Árabe, mas recebeu como respostas uma força brutal que levou à guerra civil.

Mais de 100 mil sírios foram mortos. Calcula-se que 9,3 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente – incluindo 3,1 milhões de crianças. Desse total, 6,5 milhões são deslocados internos. Há mais de 2,3 milhões de refugiados sírios nos países vizinhos e Norte da África.

Países esses que estão sentindo o crescente impacto da insuportável crise humanitária, política, socioeconômica e de segurança.

Leia a íntegra da nota emitida nesta quarta-feira (12) pelo porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon:

Três anos atrás, o povo sírio se levantou em protesto pacífico para exigir seus direitos e liberdades universais. Em resposta, veio uma força brutal, um derramamento de sangue cada vez maior e a devastação da guerra civil. Na medida em que o conflito entra agora no seu quarto ano, o secretário-geral apela para que todos reflitam sobre a longa e crescente lista de horrores que ocorrem na Síria a cada dia.

Centenas de milhares de vidas foram perdidas ou destruídas, com centenas de mortos a mais todos os dias, cidades e aldeias foram reduzidas a escombros; extremistas estão impondo ideologias radicais; comunidades são ameaçadas e atacadas; milhões de pessoas foram obrigadas a fugir da violência e privação; armas estão entrando no país, adicionando combustível ao fogo, e elas estão sendo usadas de forma indiscriminada; atos de terrorismo são uma realidade diária; graves crimes permanecem impunes e milhares permanecem em cativeiro sem o devido processo; e o patrimônio cultural mundial está sob grave ameaça. Durante o ano passado, este conflito também viu o pior uso de armas de destruição em massa no século 21.

Síria é agora a maior crise humanitária e de paz e segurança que o mundo enfrenta, com a violência atingindo níveis impensáveis. Países vizinhos da Síria estão suportando os crescentemente insuportáveis efeitos humanitários, de segurança, políticos e socioeconômicos deste conflito.

O secretário-geral lamenta profundamente a incapacidade da comunidade internacional, da região e dos próprios sírios de acabar com esse conflito terrível. O povo sírio precisa desesperadamente do fim da violência e de uma ruptura com o passado para avançar para uma nova Síria, onde suas aspirações legítimas sejam satisfeitas e todas as comunidades estejam protegidas. A comunidade internacional não pode se dar ao luxo de perder o foco ou de olhar para o outro lado. Os efeitos e ameaças desse conflito só vai crescer e se espalhar. No entanto, são bem-vindos os recentes esforços para melhorar o acesso humanitário, de forma que a ajuda possa chegar àqueles que necessitam desesperadamente, pois só uma solução política vai acabar com o pesadelo do povo sírio.

O secretário-geral apela para que a região e a comunidade internacional e, em particular, a Rússia e os Estados Unidos – países que iniciaram a Conferência [de paz] de Genebra sobre a Síria -, adotem medidas claras para reestimular o processo de Genebra. O secretário-geral exorta o governo sírio e a oposição a exercerem a responsabilidade, liderança, visão e flexibilidade para enfrentar o desafio. Trabalhando com o representante especial conjunto [da ONU e Liga dos Países Árabes] Lakhdar Brahimi, os lados sírios e os atores regionais e internacionais devem agir agora para levar a tragédia na Síria a um fim.”

É preciso assinalar que a informação foi traduzida e divulgada pela ONU Brasil no dia 12 de março.