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Após trégua em região do subúrbio de Damasco, a UNRWA distribuiu 450 pacotes de alimentos no campo de Yarmouk, onde estão sitiadas 18 mil pessoas, principalmente refugiados da Palestina. Pelo menos 100 morreram nos últimos meses devido à guerra.

C12 Foto ONU Brasil      -Rio de Janeiro, Brasil.- Em meio a um cenário de “devastação inacreditável”, a agência das Nações Unidas encarregada de garantir o bem-estar dos refugiados da Palestina no Oriente Médio conseguiu entregar nesta quarta-feira (26)suprimentos para salvar vidas de famílias em um campo nos arredores de Damasco – em Yarmouk –, onde quase todos os edifícios estão vazios por dentro e as pessoas desesperadas e cansadas com a guerra, sofrendo uma privação sem paralelo.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida e divulgada no dia 27 de fevereiro pela ONU Brasil.

Com enormes multidões alinhadas em “fileira após fileira de faces magras”, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) distribuiu 450 pacotes de alimentos no campo de refugiados da Palestina de Yarmouk, elevando para 7.493 o número total de cestas básicas distribuídas desde 18 de janeiro.

A equipe da UNRWA foi autorizada a trabalhar a partir de uma instalação da Agência em Yarmouk pela primeira vez desde dezembro de 2012”, disse o porta-voz da Agência da ONU, Christopher Gunness, que acrescentou: “Isto representa um passo altamente encorajador no sentido de reestruturar por completo os serviços e o acesso humanitário em Yarmouk.”

A equipe da UNRWA recebeu autorização para retomar a distribuição de alimentos dentro de Yarmouk às 14h, na hora local, e começou a entrar a partir do norte, em Bateekhah, para a escola da UNRWA em Tabgha. Veículos da UNRWA levaram os 450 pacotes para a escola, onde a ajuda foi distribuída por cerca de quatro horas.

Apesar da presença de grandes multidões, a distribuição foi ordenada e sem incidentes de segurança ou pausas”, disse Gunness, que também enfatizou que os funcionários da UNRWA foram autorizados a gerir o processo de distribuição em sua totalidade, sem o envolvimento de terceiros.

Ele disse que, embora as necessidades humanitárias permanecem grandes, a UNRWA elogiou este progresso encorajador. Além disso, foi garantido que a ampliação do acesso humanitário será mantida ao longo dos próximos dias. “A Agência está pronta para restabelecer rapidamente os serviços e aumentar a assistência humanitária”, acrescentou Gunness.

Após os combates começarem, na noite do dia 7 de fevereiro – forçando a UNRWA a suspender temporariamente o fornecimento de ajuda humanitária –, a Agência teve acesso apenas intermitente ao acampamento nas últimas duas semanas. Um pacote da UNRWA alimenta uma família entre cinco e 10 dias. Há 18 mil palestinos no campo e um número desconhecido de sírios.

Quando o acesso humanitário parcial foi concedido, nos dias 18 de janeiro e 20 de fevereiro, a UNRWA conseguiu distribuir com sucesso 7 mil cestas básicas, 10 mil vacinas contra a poliomielite e uma gama de outros suplementos médicos para os civis dentro do acampamento.

Antes do conflito armado na Síria, que começou em março de 2011, residiam em Yarmouk – um subúrbio ao sul de Damasco – mais de 160 mil refugiados da Palestina. Desde então, apenas 18 mil ficaram no local.

Durante sua visita ao campo há dois dias, o chefe da UNRWA, Filippo Grandi, descreveu um quadro sombrio da situação, dizendo a repórteres mais tarde que “a devastação é inacreditável”.

Não há um único prédio que eu já tenha visto que não é uma concha vazia”, afirmou Grandi.

O que foi ainda mais chocante foi o estado das pessoas na região. Com grande parte do campo destruído e passagens bloqueadas com barricadas, “as pessoas que vêm de dentro de Yarmouk aparecem de repente perto do [nosso] ponto de distribuição. É como o aparecimento de fantasmas. Estas pessoas que não fugiram, que ficaram sitiadas lá dentro, não só estão sem alimentos, medicamentos , água limpa – todo o básico – mas estão também, provavelmente, completamente submetidas ao medo”, disse ele.

Desde dezembro de 2012, os conflitos causaram a fuga de Yarmouk de pelo menos 140 mil refugiados da Palestina, como grupos armados de oposição estabelecendo uma presença na área e as forças do governo controlando a periferia.

A fome e as doenças agravadas pela fome ou pela falta de assistência médica contribuíram para a morte de 100 pessoas no campo nos últimos meses, segundo dados da ONU.