Sírios fogem para o Iraque por causa do conflito. Foto: ACNUR/G. Gubaeva

Sírios fogem para o Iraque por causa do conflito. Foto: ACNUR/G. Gubaeva

Rio de Janeiro, Brasil.- A segunda rodada de negociações para a paz na Síria chegou ao fim neste fim de semana e o representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe para o país, Lakhdar Brahimi, pediu desculpas ao povo sírio pela falta de progresso para acabar com a crise, ressaltando que as partes envolvidas no conflito devem refletir se elas querem participar efetivamente ou não nas discussões.

Segundo uma nota da ONU Brasil, em idioma português, divulgada no dia 17 de fevereiro, ainda não há uma data específica para o início da próxima rodada de negociações, mas tanto o governo quanto a oposição já possuem uma agenda para os futuros diálogos.

Muito pouco foi atingido nessa segunda parte das negociações. Apesar disso, a ONU e o Crescente Vermelho Sírio conseguiram acesso às milhares de pessoas sitiadas na cidade de Homs, distribuíram comida e vacinas. Mulheres, crianças e idosos também puderam sair da cidade e procurar refúgio em um lugar mais seguro.

Quanto aos próximos passos, Brahimi disse que governo e oposição concordaram com a proposta de que uma nova rodada de negociações vai incidir sobre a violência e o terrorismo, um governo de transição, instituições nacionais e reconciliação nacional.

Porém, ele reconheceu que o principal ponto de discórdia ainda persiste: o governo considera que a questão mais importante a ser discutida é o combate ao terrorismo e a oposição considera que a questão mais importante é a formação de uma autoridade de governo de transição.

Nós sugerimos que o primeiro dia seja definido para discutir sobre o fim da violência e combater o terrorismo e o segundo dia seja reservado para uma discussão sobre o órgão do governo de transição”, explicou Brahimi, deixando claro, porém, que um dia não será tempo suficiente para concluir as discussões sobre um ou outro problema e que “infelizmente o governo recusou-se [a discutir esta abordagem], o que levanta a suspeita da oposição para o fato de as autoridades não quererem um governo de transição”.

Brahimi disse ter esperança de que ambos os lados reflitam sobre o assunto e se engajem para implementar o Comunicado de Genebra de 2012, um plano de ação para formar um governo de transição no país, que lideraria eleições livres e justas.

Desde o levante contra o presidente Bashar Al-Assad em março de 2011, mais de 100 mil pessoas foram mortas. Calcula-se que 9,3 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente – incluindo 3,1 milhões de crianças. Desse total, 6,5 milhões são deslocados internos. Há mais de 2,3 milhões de refugiados sírios nos países vizinhos e Norte da África.