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Foto: Valter Campenato/ABr

Foto: Valter Campenato/ABr

Rio de Janeiro, Brasil.-O desperdício de alimentos e o aumento da pobreza têm relação direta, afirma o especialista Banco Mundial na área de pobreza, José Cuesta. Quanto mais comida as pessoas jogam fora, mais caros ficam os alimentos, o que obriga as famílias a gastarem mais com comida e menos com outras atividades, como educação e previdência.

Não há muito nível de consciência, nem sequer nos países mais ricos. Há consciência para produzir mais alimentos mas não para melhorar a tendência de perdas de alimentos na região, sobretudo em conscientização e educação”, afirma Cuesta.

Cabe assinalar que a informação foi divulgada pela ONU Brasil no dia 14 de fevereiro.

Apesar de ser a região que menos desperdiça no mundo, 6%, a América Latina perde todos os anos 80 milhões de toneladas, o que representa 15% de sua produção anual, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Do ponto de vista nutricional, isso significa que se desperdiça um quarto dos componentes energéticos de que uma pessoa precisa diariamente para viver.

O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida”, explica o especialista do Banco Mundial e autor da publicação Food Price Watch, que monitora o preço mundial dos alimentos e seus efeitos socioeconômicos.

No continente latino-americano, o desperdício nas etapas da produção e do consumo representa, em cada uma, 28% do total de perdas. Fatores como a data de validade contribuem para as perdas no consumo familiar, enquanto na produção o desperdício se deve, principalmente, à colheita ineficiente ou prematura e às condições excessivas de chuva ou de seca, frequentes no Brasil e na Argentina. As perdas também são atribuídas às fases de armazenamento (22%), de distribuição e mercado (16%) e de processamento (6%).

Algumas medidas técnicas podem ajudar a frear o desperdício, explica Cuesta, como usar recipientes de plástico, em vez de sacas, para depositar a fruta que se coleta, ou melhorar os sistemas de refrigeração para evitar perdas durante o armazenamento.