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Retirada de civis de área sitiada é preocupante

 Crianças sírias com mais de 7 anos trabalham em campos de refugiados na Jordânia e no Líbano. Foto: ACNUR/G.Beals


Crianças sírias com mais de 7 anos trabalham em campos de refugiados na Jordânia e no Líbano. Foto: ACNUR/G.Beals

Rio de Janeiro, Brasil.- As negociações entre o governo sírio e a oposição, retomadas na segunda-feira (10), obtiveram pouquíssimos progressos até agora, informou o representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, na terça-feira (11), pedindo que os envolvidos acelerem o ritmo para acabar com o conflito que já matou mais de 100 mil pessoas e expulsou quase 9 milhões de suas casas em menos de três anos.

Segundo una nota da Nações Unidas divulgada no dia 12 de fevereiro, o objetivo das negociações é implementar o Comunicado de Genebra de 2012, que estabelece um governo de transição na Síria para liderar eleições livres e justas. O documento também prevê a chegada de assistência humanitária para as 250 mil pessoas que estão em cidades sitiadas há meses, ou até anos, sem receber nenhum tipo de ajuda.

Segundo Brahimi, os três dias de “pausa humanitária”, quando cerca de centenas pessoas que moravam no sitiado centro histórico de Homs puderam ter acesso a alimentos enviados pela ONU após quase dois anos sem receber ajuda, “podem ser considerados um sucesso”. Entretanto, ele observou que os negociadores demoraram muito tempo, cerca de seis meses, para chegar ao acordo.

Brahimi destacou os riscos envolvidos na operação de Homs, quando os trabalhadores humanitários e os comboios de ajuda foram deliberadamente alvejados por atiradores de elite no domingo (9). Durante a operação de retirada dos civis, 11 pessoas morreram.

O governo permitiu que somente mulheres, crianças e idosos saíssem de Homs. Segundo as agências da Organização, 1.151 pessoas já deixaram a cidade, muitas delas passando fome. O escritório da ONU para os direitos humanos expressou preocupação sobre a detenção de 336 homens e meninos entre 15 e 54 anos que aparentemente não queriam se separar das famílias. Agentes humanitários estão no local de interrogatório, mas não acompanham as sessões.

A porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Elisabeth Byrs, disse que as pessoas que saíram de Homs estavam muito fracas e com sinais evidentes de desnutrição. Um homem disse que tinha sobrevivido por uma semana com uma colher de triguilho, enquanto outros relataram comer folhas, grama, azeitonas e farinha de trigo.

Byrs disse que, em janeiro, o PMA despachou comida suficiente para 3,7 milhões de pessoas, deixando meio milhão sem qualquer ajuda alimentar por causa da deterioração da segurança. A agência, que precisa de 40 milhões de dólares semanais para atender às necessidades alimentares das pessoas afetadas pelo conflito, enfrenta um déficit grave de financiamento e precisa de 273 milhões de dólares para cobrir as necessidades até o fim de março.

Em entrevista à Rádio ONU, o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Youssouf Abdel-Jelil, disse que as crianças que deixaram Homs pareciam “aterrorizadas, frágeis e emaciadas. Em geral, há problemas de desnutrição e também a necessidade de vacinação”.

Já a porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Fadela Chaib, afirmou que um comboio de ajuda está levando medicamentos para tratar doenças crônicas e infecciosas em 2 mil pessoas durante três meses, além de vacinas contra a poliomielite e outras doenças para ajudar mil crianças.

A agência da ONU para refugiados (ACNUR) disse estar fazendo o possível para garantir a segurança de todos os civis que querem e podem deixar Homs.