Com um ano de idade, Fátima (foto) foi submetido à mutilação genital feminina em sua vila na região de Afar, na Etiópia, que tem uma das maiores taxas de prevalência do mundo. Foto: UNICEF/Kate Holt

Com um ano de idade, Fátima (foto) foi submetido à mutilação genital feminina em sua vila na região de Afar, na Etiópia, que tem uma das maiores taxas de prevalência do mundo. Foto: UNICEF/Kate Holt

Rio de Janeiro, Brasil.- Aprovando com unanimidade na Assembleia Geral da ONU, é lembrado nesta quinta-feira (6) o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Para marcar a data, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que “não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher”.

Embora alguns argumentem que é uma “tradição”, devemos lembrar que a escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram defendidas com o mesmo argumento”, afirmou Ban.

Segundo o chefe da ONU, a data é uma oportunidade para enfrentar este problema persistente, bem como para encontrar esperança em iniciativas que provam que se pode acabar com a esta prática.

Apenas porque uma prática dolorosa existe há muito tempo não justifica sua continuação. Todas as “tradições” que rebaixam, humilham e ferem são violações dos direitos humanos que devem ser ativamente combatidas até que acabem”, lembrou ele.

Comunidade em Uganda que abandonou a mutilação genital feminina. Foto: UNFPA

Comunidade em Uganda que abandonou a mutilação genital feminina. Foto: UNFPA

A prática está caindo em desuso em quase todos os países, mas ainda está assustadoramente espalhada pelo mundo, informou a Organização. Embora dados estatísticos seguros sejam difíceis de obter, estima-se que mais de 125 milhões de meninas e mulheres tenham sido mutiladas em 29 países na África e no Oriente Médio, onde a prática prevalece e onde há dados disponíveis.

Se as tendências atuais persistirem, cerca de 86 milhões de meninas em todo o mundo estão sujeitas a sofrer a prática até 2030. “Ásia, Europa, América do Norte e outras regiões não são poupadas e devem estar igualmente vigilantes para com este problema”, destacou Ban.

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O secretário-geral se demonstrou esperançoso quanto ao problema, lembrando que recentemente, Uganda, Quênia e Guiné-Bissau adotaram leis para pôr fim à prática. “Na Etiópia os responsáveis foram presos, julgados e penalizados com ampla cobertura da imprensa, conscientizando dessa forma o público”, destacou.

É inaceitável que estas violações dos direitos humanos continuam a ameaçar a vida e o futuro de muitas mulheres e meninas”, disse o diretor executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, em um comunicado para marcar a data.

É uma afronta à sua dignidade humana, um ataque à sua saúde e um impedimento para o bem-estar de suas famílias, comunidades e países. O desenvolvimento humano não pode ser plenamente alcançado, enquanto as mulheres e as meninas continuarem a sofrer com esta violação dos direitos humanos ou viver com medo dele”, afirmou.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida e divulgada pela ONU Brasil no dia 6 de fevereiro.