Foto: Wikipedia/Lothar Wolleh

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Rio de Janeiro, Brasil.- O Comitê sobre os Direitos da Criança apresentou nesta quarta-feira (5), em Genebra, Suíça, suas conclusões da análise feita sobre a Santa Sé. De acordo com o serviço em português da Rádio ONU, o órgão que integra o Conselho de Direitos Humanos da ONU expressou grande preocupação com casos de “abuso sexual cometidos por membros da Igreja Católica“.

O relatório do Comitê cita “clérigos envolvidos no abuso sexual de dezenas de milhares de crianças em todo o mundo”. O órgão da ONU pede ao Vaticano que “afaste imediatamente” todos os que cometeram o crime, assim como os suspeitos de abuso, e envie os casos para a Justiça.

O Comitê sobre os Direitos da Criança critica o “código de silêncio” imposto a todos os clérigos. Na avaliação do órgão, esta é uma das razões pela falta de denúncia dos casos de abuso.

Outro apelo feito ao Vaticano é pela reforma das leis canônicas, para que passem a considerar o abuso sexual de menores como crime, não apenas “delitos contra a moral”. O Comitê pede à Santa Sé que forneça compensação a todas as vítimas desses crimes.

Documento cita condenação da Igreja a mãe e médico que realizou aborto em criança violentada
Sobre a postura da Igreja Católica em relação a abortos, o relatório da ONU cita um caso ocorrido no Brasil em 2009, quando uma menina de nove anos realizou um aborto após ter sido estuprada pelo padrasto. Na época, o arcebispo de Pernambuco condenou a mãe da garota e o médico que realizou o aborto.

O Comitê apela à Santa Sé para que reveja sua posição em relação ao aborto, nos casos onde há sério risco de morte para as garotas grávidas. Outra preocupação é com as “consequências negativas” da posição sobre acesso dos adolescentes a métodos contraceptivos e informações de saúde reprodutiva.

Vaticano deveria apoiar esforços internacionais para a descriminalizar a homossexualidade
O documento sugere que a Santa Sé use sua autoridade moral para condenar todas as formas de discriminação ou de violência contra crianças, baseadas na orientação sexual dos menores ou de seus pais e para que apoie os esforços internacionais para a descriminalização da homossexualidade.

Outra recomendação do Comitê sobre os Direitos da Criança é para que seja listado o número de menores que são filhos de padres e seja garantido o direito dessas crianças de receber apoio de seus pais.

É preciso assinalar que a informação foi divulgada no dia 5 de fevereiro pela ONU Brasil.