Fotos/Arte: OMS

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Rio de Janeiro, Brasil.- O número de novos casos de câncer em todo o mundo deve aumentar de 14 milhões para 22 milhões por ano nas próximas duas décadas e as mortes anuais pela doença devem crescer de 8,2 milhões para 13 milhões. Diante deste cenário, a ONU pediu nesta segunda-feira (3) que as autoridades estabeleçam acordos e leis que estimulem a ação preventiva, incluindo restrições ao tabaco, álcool e bebidas açucaradas.

Mais compromisso com a prevenção e a detecção precoce é extremamente necessário a fim de complementar os tratamentos e enfrentar o aumento alarmante do câncer”, disse o diretor da instituição da ONU de pesquisa sobre câncer, Christopher Wild, no lançamento do Relatório Mundial sobre Câncer 2014.

O documento adverte que a luta contra o câncer não será vencida somente com o tratamento e precisa urgentemente de medidas eficazes de prevenção para conter a doença.

O relatório destaca a necessidade de uma legislação adequada para reduzir a exposição e os comportamentos de risco, como a redução do uso de tabaco – um dos principais contribuintes para o câncer de pulmão, dentre outros, por meio de impostos, restrições à publicidade e outros regulamentos e medidas para controlar e desencorajar seu uso.

Abordagens semelhantes precisam ser avaliadas para o consumo de bebidas alcoólicas, de bebidas adoçadas com açúcar e ao limitar a exposição das pessoas a agentes cancerígenos ocupacionais e ambientais, incluindo a poluição do ar, afirma o documento, ressaltando que cerca de 50% e todos os casos de câncer, cujo custo anual é estimado em cerca de 1,16 trilhão de dólares, poderiam ser evitados se essas medidas fossem adequadamente implementadas.

O estudo, produzido pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), uma agência especializada da Organização Mundial da Saúde (OMS), salienta que por causa do crescimento e envelhecimento da população, os países em desenvolvimento são desproporcionalmente afetados, com mais de 60% dos casos e 70% das mortes ocorrendo na África, Ásia e América Central e do Sul.

O acesso a tratamentos de câncer eficazes e a preços populares nos países em desenvolvimento, incluindo para crianças, reduziria significativamente a mortalidade, mesmo em locais onde os serviços de saúde não são tão bem desenvolvidos, observa o relatório.

Os custos crescentes do tratamento contra a doença estão prejudicando as economias até mesmo dos países mais ricos e estão muito além do alcance dos países em desenvolvimento. “O aumento do câncer em todo o mundo é um grande obstáculo para o desenvolvimento humano e bem-estar”, disse Wild.

Nos países em desenvolvimento, a vacinação eficaz contra o vírus da hepatite B e o vírus do papiloma humano pode reduzir significativamente o câncer no fígado e no colo do útero, respectivamente, diz o relatório, ressaltando que a prevenção da propagação do tabaco em países de renda baixa e média é fundamental para o controle da doença.

Da mesma forma, em países em rápida industrialização, medidas de promoção da atividade física que evitem a obesidade também devem ser priorizadas para prevenir o câncer no intestino grosso e na mama.

Além disso, as abordagens que envolvem baixa tecnologia para a detecção precoce e rastreamento já provaram sua eficácia em países em desenvolvimento. Um bom exemplo é o exame para detecção do câncer do colo do útero utilizando inspeção visual com ácido acético e crioterapia ou tratamento de coagulação frio de lesões pré-cancerígenas na Índia e na Costa Rica.

Em 2012, os tipos de câncer mais diagnosticados no mundo foram os de pulmão (1,8 milhão de casos, 13% do total), de mama (1,7 milhão, 11,9%) e do intestino grosso (1,4 milhão, 9,7%). As causas mais comuns de morte por câncer foram de pulmão (1,6 milhão, 19,4%), fígado (800 mil, 9,1%) e estômago (700 mil, 8,8%).

Cabe assinalar que a informação foi traduzida e divulgada pela ONU Brasil no dia 4 de fevereiro.