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Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma visita ao local do então campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, em novembro de 2013. Foto: ONU/Evan Schneider

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma visita ao local do então campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, em novembro de 2013. Foto: ONU/Evan Schneider

Rio de Janeiro, Brasil.- A chefe do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, alertou em sua mensagem para o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto para os perigos da discriminação racial, afirmando que o Holocausto é um forte lembrete da discriminação e intolerância, e de quão poderoso e mortal o incitamento ao ódio racial pode ser.

Hoje, nós honramos a memória das milhões de pessoas – homens, mulheres e crianças – brutalmente assassinadas há sete décadas pelo simples fato de serem judeus, ciganos, eslavos ou homossexuais, porque eles tinham deficiência, eram testemunhas de Jeová ou adversários políticos.”

Pillay lembrou que todo ano, em 27 de janeiro, “nós reservamos um momento para lembrar das vítimas do Holocausto e refletir sobre como ele surgiu e como o mundo como um todo falhou para impedi-lo”, ressaltado que este genocídio deve “tornar-nos mais conscientes da importância de reagir rapidamente e com firmeza a manifestações de discriminação, hostilidade ou violência contra indivíduos e comunidades inteiras, onde quer que ocorram”.

Em artigo na imprensa brasileira nesta segunda-feira (27), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a lembrança deste dia – aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz – acontece em um momento no qual há “alertas para os perigos do esquecimento”.

Neste ano, assinalam-se duas décadas desde o genocídio em Ruanda. Conflitos na Síria, Sudão do Sul e República Centro-Africana assumiram uma dimensão perigosa. O fanatismo ainda percorre nossas sociedades. O mundo pode e deve fazer mais para eliminar o veneno que levou aos campos de concentração”, disse Ban.

Não podemos construir o futuro sem lembrar o passado. O que aconteceu pode se repetir. Combater o ódio está entre as principais missões da ONU. Nossos mecanismos trabalham para proteger as pessoas. Nossos tribunais esforçam-se para combater fazer justiça. Nossos especialistas escrutinam o mundo para detectar indícios de crimes atrozes”, completou.

Temos que permanecer vigilantes contra a intolerância, ideologias extremistas, tensões comunais e discriminação contra minoras. Temos que ensinar bem nossas crianças”, disse Ban na sua mensagem especial para a data.

O chefe da ONU visitou a região em novembro de 2013 e falou sobre o tema, em sua mensagem: “Estando ao lado do crematório de Auschwitz, me senti profundamente triste por tudo aquilo que aconteceu ali. No entanto, também me senti inspirado por todos aqueles que libertaram os campos de extermínio para a humanidade. Vamos juntar forças hoje numa jornada comum por um mundo de igualdade e dignidade para todos.”

TV Brasil exibiu documentário sobre o tema

TV Brasil exibiu no domingo (26) filme inédito para marcar a data.

A Trajetória do Genocídio Nazista”, uma produção do Museu Estadunidense Memória do Holocausto com imagens raras sobre o período, mostra a ascensão e a consolidação dos nazistas na Alemanha que levaram a uma guerra mundial e ao assassinato de milhões de pessoas.

O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) traduziu e legendou a obra para o português.

Sobrevivente de Auschwitz lembra história de dor e sofrimentoC10 Foto ONU Brasil.

Todos os anos, no aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, relembramos as vítimas do Holocausto. Recordamos o sofrimento de milhões de pessoas inocentes, e realçamos os perigos do anti-semitismo e ódio de qualquer espécie”, afirmou Ban Ki-moon.

Com este vídeo, a ONU marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Gilbert Schie relembra memórias do trajeto feito durante este período obscuro, da deportação à prisão até a liberdade. Uma história de dor e sofrimento, mas também de triunfo e de renovação, servindo como força de orientação para as futuras gerações.

O projeto do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand “7 Bilhões de Outros” começou em 2003, consistindo em cerca de 6 mil entrevistas filmadas em mais de 84 países, de forma a criar um retrato da humanidade e demonstrar o que nos une – e o que nos diferencia.

O Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC) para a Europa Ocidental e a Fundação Good Planet, por meio da equipe do “7 Bilhões de Outros”, juntaram-se para lançar os vídeos no maior número de línguas possível.

Sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Rejeitando qualquer negação do Holocausto como um acontecimento histórico, na íntegra ou em parte, a Assembleia Geral da ONU adotou por consenso, em 2005, a resolução A/RES/60/7, na qual condena “sem reservas” todas as manifestações de intolerância religiosa, incitação, assédio ou violência contra pessoas e comunidades com base na origem étnica ou crença religiosa, onde quer que ocorram.

Este mesmo documento pede à ONU que designe o dia 27 de janeiro – aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau – como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, e solicita aos Estados-membros que desenvolvam programas educacionais para que a tragédia não seja esquecida pelas gerações futuras com o objetivo de evitar que atos de genocídios voltem a acontecer.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida em português e divulgada no dia 27 de janeiro pela ONU Brasil.