Recursos serão repassados ao UNICEF e Acnur para ser usados no atendimento às crianças deslocadas pelo conflito, que já dura três anos

C10 Foto UNICEFBrasília DF, Brasil.– O governo brasileiro anunciou na última quarta-feira (15/1) uma contribuição de US$ 300 mil para apoiar programas de educação e proteção que contribuam para tirar mais de um milhão de crianças sírias da miséria, do isolamento e das situações traumáticas. O Brasil vai repassar os recursos para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) para apoiar a estratégia “Nenhuma Geração Perdida”, que tem como objetivo proporcionar às crianças afetadas pelo conflito a possibilidade de um futuro mais estável e seguro.

“À medida que o conflito se aproxima de outro amargo aniversário, não podemos sentar e assistir ao desaparecimento de toda uma geração”, declarou Anthony Lake, diretor executivo do UNICEF. “Agora é a hora dos defensores das crianças da Síria, agora é a hora de o mundo dar um passo para frente e proporcionar a essas crianças uma nova esperança e confiança para o seu futuro”.

“Se falharmos com estas crianças agora, toda a região perderá uma geração de potenciais líderes, professores, engenheiros, médicos e – acima de tudo – promotores da paz, dos quais depende a esperança de uma sociedade estável, saudável e próspera”, acrescentou Lake.

Diz uma nota divulgada pela UNICEF no dia 16 de janeiro, há quase três anos, as crianças sírias têm sido as mais vulneráveis de todas as vítimas do conflito naquele país, assistindo à morte de familiares e amigos, à destruição de suas escolas e ao desgaste de suas esperanças. Muitas delas têm sido profundamente afetadas tanto física quanto psicologicamente, ou de ambas as formas. Essas crianças estão também vulneráveis às piores formas de exploração, incluindo o trabalho infantil, o recrutamento para forças e grupos armados, o casamento precoce e outras formas de violência baseadas em gênero.

Entre os refugiados da Síria, mais de um milhão são crianças, e, destas, mais de 425 mil têm menos de 5 anos. A grande maioria desses refugiados fugiu para o Líbano, a Jordânia, a Turquia, o Egito e o Iraque. Entre eles, cerca de 8 mil crianças foram identificadas como estando separadas de suas famílias. A situação dos mais de 3 milhões de crianças deslocadas no interior da Síria é ainda mais grave.

UNICEF, Acnur, Save the Children, Visão Mundial e organizações parceiras na região pretendem arrecadar e canalizar US$ 1 bilhão para programas que, em colaboração com os governos e comunidades locais, proporcionem educação sem riscos, proteção contra a exploração, abusos e violência, cuidados e apoio psicológicos, e também mais oportunidades para a promoção da coesão e estabilidade social numa região bastante volátil. Esses programas incluem o reforço dos sistemas nacionais e comunitários de proteção infantil.

C10 Foto UNICEF.Desde o início da crise no país, em 2011, o UNICEF tem intensificado a sua resposta dentro da Síria e nos países onde o povo sírio procura refúgio. Em 2013, o UNICEF forneceu água potável para mais de 10 milhões de pessoas; vacinou mais de 5 milhões de crianças contra o sarampo, caxumba e rubéola; matriculou mais de 570 mil crianças em escolas e aulas de reforço; e providenciou apoio psicossocial para 870 mil crianças. O UNICEF e seus parceiros estão envolvidos na maior campanha contra a poliomielite já organizada no Oriente Médio, para vacinar 23 milhões de crianças contra a doença.

“As crianças da Síria têm suportado diariamente horrores inimagináveis, e os seus sonhos para o futuro correm o risco de desmoronar”, afirmou Anthony Lake. “Impedir a perda desta geração requer mais apoio, maiores e mais audaciosos compromissos e uma solidariedade renovada para evitar a continuidade de um ciclo de violência, ódio e intolerância numa região que tem sofrido demais”.