Campo de deslocados no Sudão do Sul. Foto: ACNUR/K. McKinsey

Campo de deslocados no Sudão do Sul. Foto: ACNUR/K. McKinsey

Rio de Janeiro.- As Nações Unidas liberaram 15 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) para operações essenciais de ajuda no Sudão do Sul, onde mais de mil pessoas foram mortas e cerca de 200 mil foram expulsas de casa e quase 60 mil estão abrigados nas bases da ONU. Aproximadamente 43 mil sul-sudaneses fugiram para países vizinhos como Etiópia, Quênia e Uganda.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida em idioma português e divulgada o dia 10 de janeiro pela ONU no Brasil.

Os confrontos no Sudão do Sul foram retomados em 15 de dezembro, quando o presidente, Salva Kiir, afirmou que soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, destituído do cargo em julho, tentaram aplicar um golpe de Estado. Desde então, a violência tem se caracterizado cada vez mais como perseguição étnica, já que Kiir é do grupo Dinka e Machar, do Lou Nuer.

As condições para os sul-sudaneses fugirem das hostilidades em seu país estão ficando piores a cada dia”, afirmou a coordenadora de ajuda humanitária da ONU, Valerie Amos. “Com este financiamento do CERF, as agências humanitárias da ONU serão mais capazes de suprir as necessidades de pessoas que procuram desesperadamente abrigo e segurança.”

O financiamento liberado pela ONU será usado para melhorar as condições de vida das dezenas de milhares pessoas em campos superlotados; apoio aéreo a evacuações médicas e para permitir o acesso de trabalhadores humanitárias a lugares que são inacessíveis ou muito perigosos de chegar pelas estradas.

Desde que o país ganhou independência em julho de 2011, agências de ajuda humanitária já receberam quase 74,4 milhões do CERF para ações essenciais, incluindo distribuição de alimentos, água limpa, abrigo e serviços de saúde.

Reforço militar pode levar até dois meses
Apesar do “progresso substancial”, pode levar até dois meses para todos os 5,5 mil soldados e equipamentos autorizados pelo Conselho de Segurança chegarem ao Sudão do Sul para reforçar a Missão das Nações Unidas no país (UNMISS). O prazo inicial era de até três semanas.

Nossa meta é ir o mais rápido possível e estamos agradecidos aos países que estão colaborando conosco no transporte porque não é um pequeno feito”, disse o subsecretário-geral para operações de manutenção da paz, Hervé Ladsous.

A ONU, mediante negociação com países contribuintes e com governos africanos onde missões estão em andamento, está deslocando temporariamente militares e policiais para reforçar a segurança no Sudão do Sul desde que o Conselho determinou uma ampliação emergencial de contingente para cerca de 14 mil homens – quase o dobro do atual.

O deslocamento começou com 72 policiais e três helicópteros da Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), cuja tropa é comandada pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz.