Foto: Rafael Barbosa Cassimiro/Creative Commons

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Rio de janeiro, Brasil.- A região da América Latina e do Caribe poderá fechar o ano com uma taxa de desemprego urbano situada entre 6,2% e 6,3%, uma leve diminuição em relação ao índice de 6,4% registrado em 2012. A projeção foi feita por duas agências da ONU — a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O primeiro semestre de 2013 não foi um período fácil para a América Latina”, assinala o documento ‘Conjuntura Laboral da América Latina e Caribe nº 9′, devido ao baixo dinamismo da economia mundial, à maior volatilidade dos mercados financeiros e ao enfraquecimento da demanda interna. Durante a primeira metade do ano, a economia regional expandiu-se somente 2,5% em relação ao mesmo período de 2012.

A desaceleração do crescimento econômico da região durante o primeiro semestre de 2013 foi traduzida em uma menor demanda laboral. Isto se expressou, especificamente, em uma menor geração de emprego assalariado.

Enquanto em 2010 este indicador cresceu 3,1% em nível regional, para o primeiro semestre de 2013 estima-se uma expansão de somente 1,6% — com base em 10 países que dispõem de dados. Ainda assim, o emprego assalariado aumentou sua proporção no conjunto do emprego na maioria dos países.

O menor dinamismo na geração de emprego não significou um aumento do desemprego porque nos primeiros seis meses de 2013 reverteu-se o aumento relativamente forte da taxa de participação laboral de 2012. Nos 10 países com informação disponível, a taxa deixou de crescer no primeiro semestre.

Um dos aspectos destacados no relatório é que se manteve a tendência descendente da taxa de desemprego iniciada em 2004, ainda que com quedas muito modestas.

Para os 10 países com informação disponível, a taxa de desemprego urbano passou em média de 6,7% no primeiro semestre de 2012 a 6,6% no mesmo período de 2013, ainda que na Argentina, Jamaica, México e Uruguai tenha se registrado um aumento. Com exceção da Jamaica, os aumentos foram moderados, de menos de meio ponto percentual.

Por outro lado, continuou a redução das diferenças entre homens e mulheres em termos de participação laboral, ocupação e desemprego, apesar das diferenças entre países.

Em relação aos salários reais, na maioria dos países estes continuaram crescendo durante a primeira metade do ano, embora com taxas mais modestas do que a média de 2012.

Papel da formação profissional

Na segunda parte do documento preparado pela CEPAL e pela OIT são analisadas as transformações dos sistemas nacionais de formação profissional e capacitação na América Latina e no Caribe, que enfrentam novos desafios no contexto das mudanças econômicas, produtivas e tecnológicas em curso na região, que se expressam em uma demanda mais diversificada.

Nesse contexto, foi introduzida uma série de inovações em relação aos conteúdos, métodos, tecnologias utilizadas, institucionalidade e coordenação da formação profissional. “Um desafio permanente dos sistemas nacionais de formação profissional consiste em seu papel de contribuir para a redução das desigualdades que caracterizam os mercados laborais da região”, dizem no prólogo da publicação Alícia Bárcena, secretária executiva da CEPAL, e Elizabeth Tinoco, diretora regional do Escritório da OIT para a América Latina e Caribe.

Segundo o documento, é importante que estes sistemas se integrem com outros instrumentos das políticas do mercado de trabalho e que se desenvolvam ofertas efetivas para aumentar a inserção laboral produtiva de grupos que enfrentam obstáculos específicos.

Uma força laboral com capacidade, competência e conhecimentos que se ajustem à demanda, tanto das empresas formais como do setor informal, e que responda às necessidades e preferências da população, é um elemento central para reduzir as diferenças externas e internas de produtividade na América Latina e Caribe e avançar rumo a um desenvolvimento sustentável, ressaltam as duas instituições.

É preciso dizer que a informação, traduzida em idioma português, foi divulgada no 31 de outubro pela ONU Brasil.