Foto FAO

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Rio de Janeiro, Brasil.- Quatorze milhões de mulheres que vivem nas áreas rurais da América Latina trabalham em empregos não agrícolas como fonte de ocupação principal, assinalou nesta terça-feira (15) a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Cabe assinalar que a informação foi divulgada nas últimas horas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e traduzida em idioma português pela ONU no Brasil.

De acordo com a terceira nota de políticas sobre as mulheres rurais da FAO, nos últimos anos se tem visto um grande aumento do emprego não agrícola entre as mulheres que vivem nas áreas rurais da América Latina: entre 2010 e 2013 este tipo de trabalho cresceu de 9,6 milhões para 14 milhões.

O emprego rural não agrícola engloba todos os habitantes de áreas rurais que trabalham fora do setor primário (agricultura, pecuária, silvicultura, caça e pesca).

As mulheres que trabalham nos empregos rurais não agrícolas geram renda que é essencial para sua autonomia econômica e para a segurança alimentar de suas famílias. Entretanto faltam políticas específicas para melhorar suas condições de trabalho, que refletem em mudanças na estrutura trabalhista rural”, explicou Soledad Parada, consultora de gênero da FAO.

A FAO indicou que 45% das mulheres maiores de 15 anos que vivem em áreas rurais estão ocupadas, e 10% delas trabalham em empregos rurais não agrícolas (ERNA), que cresceu bastante tanto entre mulheres como homens. Este tipo de emprego cresceu 29% entre as mulheres e 27% entre os homens no período 2000-2008.

Isto nos mostra que o panorama trabalhista das áreas rurais está mudando. Por isso, as políticas públicas e as intervenções da sociedade civil e dos organismos internacionais devem considerar essa mudança para implementar ações para fortalecer o emprego e a segurança alimentar”, explicou Soledad.

Sobre a participação das mulheres no emprego não agrícola, ela explicou que este tipo de emprego oferece vantagens às mulheres em termos de derrubar barreiras à sua entrada no mercado de trabalho, oferecer melhores condições de trabalho e flexibilidade de horários, e uma menor discriminação.

As mulheres no emprego rural não agrícola

Segundo a nota de políticas da FAO, 53% das mulheres ocupadas no ERNA são assalariadas, porcentagem que sobre para 75% no caso de homens ocupados nos ERNA. São 29% delas que trabalha por conta própria e relativamente poucas mulheres trabalham sem remuneração (7%), sobretudo se compararmos com a situação na agricultura.

Mais de 70% das mulheres que trabalham nos ERNA tem menos de 45 anos. Pouco mais da metade delas são casadas ou vivem com um parceiro e mais de 80% vivem em domicílios de três ou mais pessoas.

Chama a atenção que do total das mulheres ocupadas nos ERNA, 27% são de um domicílio encabeçado por uma mulher; enquanto para os homens esse percentual é de apenas 12%. A diferença se explica pelo fato de que, em 86,6% dos domicílios encabeçados por uma mulher ocupada no ERNA, a mulher sustenta a casa sozinha.

Atualmente, 45% do total dos ocupadas da região trabalha em alguma atividade não agrícola como ocupação principal. Em 2010, o total de empregados rurais na região chegava a 48,4 milhões de pessoas, das quais 21,7 milhões trabalhavam no ERNA.