C4 Foto ONODCLima, 8 de outubro de 2013 – O cultivo do arbusto de coca diminuiu cerca de 3,4% no Peru, de acordo com o Relatório de Monitoramento de Cultivo de Coca 2012 apresentado no fim de setembro pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo governo do Peru. A área cultivada em 31 de dezembro de 2012 foi estimada em 60.400 hectares (ha), abaixo do total de 62.500 ha no ano anterior.

Cabe assinalar que a informação foi divulgada pela UNODC Brasil e Cone Sul.

Flavio Mirella, representante do UNODC no Peru, cujo escritório vem produzindo o relatório anual em conjunto com o governo peruano desde 1999, atribuiu a tendência positiva à Estratégia Nacional Anti-Drogas, lançada em 2012 junto com programas que proporcionam meios de subsistência alternativos aos agricultores. Esses programas têm sido especialmente eficazes na região do Alto Huallaga, que está entre os maiores produtores de culturas de coca do país.

O governo erradicou mais de 14.230 ha de coca em Alto Huallaga e Aguaytia. Essas áreas, assim como Apurímac-Ene e Vale do rio Mantaro (VRAEM), estão fortemente associadas ao tráfico de drogas e ao terrorismo. No entanto, a prisão de “Artemio”, um líder da organização Sendero Luminoso, tem facilitado o envolvimento das comunidades agrícolas em programas de desenvolvimento alternativo.

Imagens de satélite e levantamentos de campo mostram que cerca de 13 regiões estavam envolvidas no cultivo de coca em todo o país, com Cusco, Ayacucho e Huánuco registrando as maiores áreas de cultivo, seguidas pela área de Palcazu-Pichis-Pachitea, que teve 25% de aumento.

A produção total da folha de coca atingiu cerca de 129.000 toneladas, uma queda de quase 2% em comparação com as 131.000 toneladas de folha de coca seca produzidas em 2011. Estima-se que 9.000 toneladas foram utilizadas para a prática tradicional de mastigação de folhas de coca, deixando cerca de 120.000 toneladas para os mercados ilegais.

A produção se concentrou principalmente na região da Baixa Amazônia, na fronteira com a Colômbia e o Brasil, que testemunhou um aumento de 73% em comparação com 2011. A localização desta área torna mais fácil o transporte de precursores químicos necessários para produzir drogas e também facilita o tráfico de drogas transnacional. Como nos anos anteriores, a área de VRAEM liderou a produção da folha de coca, com mais de 56% das culturas. O rendimento médio nacional de folhas de coca secas foi de 2,1 toneladas por hectare, com VRAEM registrando 3,6 toneladas por hectare, ainda que Alto Chicama tenha registrado cerca de 0,9 toneladas por hectare.

O preço da folha de coca direto do produtor manteve valor médio de US$ 3,3 por quilo em 2012. O preço médio de base de cocaína caiu quase 10%, chegando a US$ 737 por quilo, enquanto o custo de hidroclorido de cocaína diminuiu cerca de 3%, custando US$ 990 por kg.

As apreensões de base de cocaína cresceram 40% para cerca de 20.000 quilos, com interceptações de hidroclorido de cocaína também aumentando aproximadamente 20%, para cerca de 12.700 kg.

Informação relacionada:

Relatório de Monitoramento de Cultivo de Coca no Peru 2012 (em espanhol)