C2 Foto UNODOC BRASIL E CONE SULBogotá. – A área sob cultivo de coca na Colômbia caiu 25% em 2012 para 48.000 hectares (ha), em comparação aos 64.000 ha de 2011. Este foi o quadro nacional ao final de 2012, comparado aos dados do final do ano anterior.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida em idioma português e divulgada nos últimos dias pela UNODC Brasil e Cone Sul.

Uma pesquisa realizada conjuntamente pelo governo da Colômbia e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC)  mostra que o cultivo de arbusto de coca afetou 23 dos 32 departamentos do país; diminuiu em 17 departamentos; aumentou nos três departamentos de Norte de Santander, Caquetá e Chocó, e manteve-se inalterada nos três restantes .

Imagens de satélite e pesquisas de campo mostraram que cerca de 80% do cultivo estava concentrado em oito departamentos, com cerca de metade localizado em três desses departamentos. Nariño, Putumayo, Guaviare e Cauca viram os maiores declínios e sete departamentos estão agora abaixo do nível de 100 ha.

O governo erradicou manualmente quase 30.500 ha de arbustos de coca em 2012 e pulverizou quase 100.550 ha de plantações de coca pelo ar, em níveis semelhantes aos de 2011. Esses esforços reduziram a área afetada pelo cultivo de coca de 135 mil ha em algum momento de 2012 para 48 mil ha ao final do ano.

O valor da folha de coca e seus derivados (pasta de coca, base de cocaína) em 2012 foi estimado em US$ 370 milhões , abaixo do valor de US$ 422 milhões de 2011, e equivalente a 0,2% do PIB nacional e 3% do PIB relacionado ao setor agrícola. Em contraste, os preços permaneceram estáveis ​​para base de cocaína (3,9%), pasta (-0,4%), e cloridrato (-2,4%). Estudos recentes mostram que a produção de folha de coca por ha diminuiu. O número de famílias envolvidas no cultivo de coca caiu 3%, saindo de 62.400 em 2011 para 60.600 em 2012.

Os rendimentos anuais de folha de coca têm diminuido desde 2005, mas o preço de mercado aumentou quase 10%. A produção de cocaína 100% pura variou entre 240 e 377 toneladas. Uma vez que as estimativas são incertas, o número de 2012 pode ser calculado em 309 toneladas, o que é comparável com o valor de 2011. As apreensões de cocaína de pureza desconhecida subiram 21%, de cerca de 156 toneladas métricas em 2011 para cerca de 188 toneladas em 2012.

Com a renda bruta média de um agricultor que vende folha de coca estimada em US$1.220 por ano, a produção de coca não atinge as mesmas recompensas lucrativas do passado;  em 2005, 82% dos plantadores de coca eram dependentes da cultura e seus derivados, enquanto a pesquisa mais recente aponta que 60% dos agricultores – 30% menos – consideram as atividades relacionadas à coca como suas principais fontes de renda. Cerca de 30% dos agricultores estão envolvidos na conversão da folha de coca em base de cocaína, metade do valor de 2005.

“O impacto dos esforços do governo para erradicar o cultivo ilícito de coca é visível. Porém, a pesquisa de 2012 e as anteriores mostram que depois que a erradicação ocorre, muitas vezes o cultivo é retomado em áreas novas ou já limpas. Portanto, a erradicação de culturas, mesmo quando produz resultados positivos , deve ser complementada por sistemas alternativos de subsistência para melhorar as condições sociais, econômicas e ambientais e para conseguir uma redução sustentável da área sob cultivo”, disse Bo Mathiasen, representante do UNODC na Colômbia.

Em 2012, os investimentos de quase US$ 250 milhões foram feitos no âmbito da Política de Consolidação Territorial para enfrentar os fatores que tornam territórios vulneráveis ​​ao cultivo de coca, além de promover desenvolvimento, principalmente nas províncias de Nariño, Antioquia, Putumayo, Huila e Cauca.

Informação relacionada: Relatório de Monitoramento de Cultivo de Coca (em espanhol e inglês)