Mais da metade dos refugiados sírios no Líbano são crianças. Foto: OCHA/D. Palanivelu

Mais da metade dos refugiados sírios no Líbano são crianças. Foto: OCHA/D. Palanivelu

Rio de Janeiro.- A ONU lançou um apelo urgente nesta terça-feira (17) para a comunidade internacional em prol do financiamento para a crise humanitária gerada pela guerra civil na Síria, advertindo em especial que centenas de milhares de refugiados sírios no Líbano poderiam enfrentar redução de ajuda alimentar essencial.

Nós levantamos apenas 40% dos 4,4 bilhões de dólares necessários para a Síria e para os países vizinhos para este ano”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a abertura da 68ª sessão da Assembleia Geral, ao falar sobre a Síria. “Eu apelo aos governos para nos ajudar a enfrentar esta crise sem precedentes, sem deixar de lado os compromissos para outras emergências”, disse.

Segundo uma informação de ONU Brasil, no idioma português, mais de 100 mil sírios foram mortos, mais de 2 milhões fugiram para países vizinhos e mais de 4 milhões deslocados internamente desde que o combate começou em março de 2011 entre o Governo e os grupos de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad.

Ban Ki-moon classificou a situação como “desesperadora” e dedicou seu informe em grande parte às conclusões de um relatório da ONU que identificou o uso de gás sarin em um ataque químico que matou centenas de pessoas na periferia de Damasco, no mês passado.

Destacando as graves consequências da escassez de financiamento, as agências da ONU apelaram a uma maior generosidade para evitar uma redução na ajuda alimentar no próximo mês para centenas de milhares de refugiados sírios no Líbano, onde 127 milhões de dólares ainda precisam ser arrecadados.

Cerca de 720 mil sírios já fugiram para o Líbano, apesar do financiamento para os refugiados ter sido coberto em apenas 27%, afirmou a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming, citando as necessidades do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA).

Se a tendência atual continuar, haverá necessidade de ‘priorização’, disse Fleming quando questionada sobre relatos de que a ONU teria de reduzir a ajuda aos refugiados sírios no Líbano a partir de outubro.

Os mais vulneráveis, os que possuem as maiores necessidades e aqueles incapazes de se sustentar de forma alguma teriam de ser colocados em primeiro lugar, acrescentou a porta-voz. Alguns dos refugiados não possuem absolutamente nada, nenhum recurso para trabalhar e nenhum parente ou sistema de apoio no Líbano.

Enquanto isso, o PMA informou também na terça-feira que ampliou sua distribuição de vales-alimentação aos refugiados sírios na Jordânia para mais de 100 mil pessoas, todos vivendo no campo de Zaatari. A assistência permite que os refugiados possam comprar a comida de sua escolha a partir de lojas designadas dentro do campo, permitindo que a economia local se beneficie.

Em agosto, a agência de ajuda alimentar da ONU atingiu mais de 300 mil refugiados sírios que vivem na Jordânia, através de senhas, injetando mais de 11 milhões de dólares na economia local.

O PMA também usa o vale-alimentação para refugiados sírios no Líbano, Turquia, Iraque e Egito, e as economias locais receberam mais de 153 milhões de dólares desde o início de 2013 por meio do sistema.

No informe dedicado ao uso do gás sarin na Síria, Ban Ki-moon repetiu as observações que havia feito na segunda-feira (16) na apresentação do relatório. “A Missão das Nações Unidas já confirmou, de forma inequívoca e objetiva, que armas químicas foram usadas na Síria”, disse ele. “Os fatos falam por si. Este é o uso confirmado mais significativa de armas químicas contra civis desde que Saddam Hussein os usou em Halabja, em 1988.”

Este é um crime de guerra e uma grave violação do Protocolo de 1925 e de outras normas de direito internacional consuetudinário. Confio que todos podem se juntar a mim na condenação deste crime desprezível”, acrescentou , pedindo um fim para o fluxo de armas para a Síria, “que apenas sustenta o derramamento de sangue”.