Tratado de armas pode reduzir mortes por armas de fogo no mundo. Imagem: TV ONU/reprodução.

Tratado de armas pode reduzir mortes por armas de fogo no mundo. Imagem: TV ONU/reprodução.

Rio de Janeiro, Brasil.- “O Brasil tem um número muito alto de mortes por armas de fogo: aproximadamente 35 mil mortes anualmente.” O dado faz parte da argumentação do coordenador de controle de armas do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, defendendo que o Brasil lidere o processo de implantação do Tratado de Comércio de Armas, que estará aberto na ONU no próximo mês para ratificação dos países.

Cabe assinalar que a informação foi divulgada nas ultimas hora pela ONU Brasil.

O Instituto participou como representante da sociedade civil das negociações nas Nações Unidas sobre o texto do tratado e orientou o Governo brasileiro a assumir uma postura de liderança no tema. Langeani concedeu uma entrevista sobre o assunto a convite do Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio).

Antes desse tratado não havia nenhuma norma internacional para regular este tipo de comércio, que é bilionário e que tem um impacto muito grande na segurança das pessoas”, diz o pesquisador. Assista ao vídeo.

Política externa e liderança internacional

No documento Brasil e o Arms Trade Treaty: Impacto e importância de um Tratado humanitário, publicado em 2012 pelo Instituto Sou da Paz, a organização não governamental afirma que uma atuação proativa no âmbito do tratado oferece várias oportunidades para consolidar prioridades da política externa brasileira.

O primeiro ganho vem de evitar perdas, ou o custo político de tensões e escândalos relacionados à exportação de armas que vez ou outra são sentidos por outros países ou destacados pela imprensa brasileira e mundial”, afirma o documento, fazendo referência a publicações sobre uso de armas produzidas no Brasil encontradas em países enfrentando violações de direitos humanos.

As negociações do ATT [ Tratado de Comércio de Armas, na sigla em inglês] podem também ajudar o Brasil no refinamento e consolidação da sua maior prioridade conceitual em termos de política externa, a noção de ‘responsibility while protecting‘ [ responsabilidade ao proteger]”, acrescenta o documento, citando a posição do Brasil de evitar o agravamento da violência em intervenções militares autorizadas pela comunidade internacional.

O Brasil tem muito a ganhar com maior liderança, visibilidade e convergência com seus parceiros, em termos de posição e postura nas negociações do ATT.”