Atlantic rainforest in Brazil

Fazenda de produtor de café com 42 hectares de Mata Atlântica. Foto: Divulgação

Cabe assinalar que a informação foi divulgada no dia 10 de maio por ONU Brasil.

A iniciativa, que começou em março de 2009, financia os donos de terra que adotam práticas sustentáveis, como preservar e recuperar áreas de Mata Atlântica, manter a cobertura florestal à beira dos rios, evitar a poluição das águas e diminuir a quantidade de agrotóxicos usada nas plantações e/ou investir em agricultura orgânica.

Quando os fazendeiros se oferecem para participar, técnicos do projeto medem a área, fazem uma análise ambiental e estabelecem objetivos (e pagamentos) sob medida. “Com o dinheiro, eles conseguem comprar mudas, construir cercas que afastam o gado da floresta, entre outras coisas”, diz o engenheiro florestal Marcos Sossai, do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA).

Quando o gado é mal gerenciado, os rios podem acabar sendo contaminados por fezes e urina. Além disso, o desmatamento pelo gado acelera a erosão da terra e pode aumentar a quantidade de sedimentos na água.

Cresce número de interessados no projeto

O projeto ainda incentiva os fazendeiros a manter as boas práticas. Se as metas não são cumpridas, eles têm de devolver o dinheiro ao governo. A obrigação é rígida, mas há persistência dos donos de terra. A iniciativa já atraiu 90 proprietários. Espera-se que mais 210 se voluntariem.

Acredito que muitos dos meus vizinhos vão se interessar porque nosso município tem 45% de cobertura de Mata Atlântica”, conta um produtor de café da cidade de Marechal Floriano. Cerca de 42 dos 88 hectares da fazenda do produtor ficam em uma área de floresta que começou a ser preservada há 133 anos por seu bisavô. O esforço foi recompensado com um pagamento de 7 mil reais ao ano. O fazendeiro se comprometeu a recuperar mais meio hectare de Mata Atlântica. A tarefa lhe renderá 2 mil reais em três anos.

O trabalho feito no Espírito Santo segue um modelo global conhecido como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Na concepção do sistema, as florestas oferecem água limpa, sequestram a emissão de gases causadores de efeito estufa e constituem o hábitat de várias espécies, entre outros “serviços”. “Embora o serviço venha da Mata Atlântica, o PSA dá reconhecimento a quem a preserva”, explica Sossai.

Um dos principais desafios do modelo é manter-se atraente à medida que o tempo passa. “Por isso, é importante oferecer pagamentos de curto e longo prazos, bem como assistência técnica que ajude os fazendeiros a aumentar a produtividade sem agredir o meio ambiente”, diz Gunars Platais, especialista ambiental no Banco Mundial.