Foto UNIC Brasil -Rio de Janeiro, Brasil.- Declaração da Porta-Voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Cécile Pouilly, hoje (23) pela manhã, em Genebra:

Em 21 de abril, o Tribunal do Júri de São Paulo condenou 23 policiais militares a longos anos de prisão por suas responsabilidades na morte de 13 detentos durante a repressão a uma rebelião na cadeia do Carandiru em 2 de outubro de 1992. Um total de 111 detentos perderam suas vidas durante a supressão da revolta. Investigações revelaram que muitos prisioneiros foram baleados à queima-roupa.

É preciso dizer que a informação foi distribuída em nota da ONU Brasil, no dia 23 de abril.

Antes desta condenação, a única pessoa que tinha sido julgada pelas mortes no Carandiru foi o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães, que em 2001 foi condenado por uso excessivo da força, mas absolvido em segunda instância em 2006. Outros 53 policiais militares devem ir a julgamento nos próximos meses por ligação com as mortes de outros detentos no Carandiru.

Parabenizamos as autoridades brasileiras, depois de mais de duas décadas de impunidade em um dos incidentes de violência mais brutais em uma prisão, por fazer justiça a algumas das vítimas do Carandiru e seguiremos de perto a continuação dos julgamentos dos outros acusados.

Também encorajamos as autoridades brasileiras a resolver urgentemente a terrível situação das prisões onde aproximadamente meio milhão de pessoas estão detidas.

Sobre o caso:

Os 23 policiais militares foram sentenciados a 156 anos de prisão cada. Nenhum oficial de alta patente foi condenado neste julgamento. Os 23 policiais eram membros da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) – grupo de elite da Polícia Militar de São Paulo.”