Comércio de rua no Rio de Janeiro. Foto: Andre Leal/Creative Commons


Comércio de rua no Rio de Janeiro. Foto: Andre Leal/Creative Commons

Rio de Janeiro, Brasil.- Os ventos globais favoráveis que facilitaram o sólido crescimento econômico e a inclusão social na América Latina e no Caribe ao longo da década passada estão diminuindo.

Cabe assinalar que a informação foi divulgada pela ONU Brasil, no dia 19 de abril.

Um novo contexto internacional — caracterizado pelo excesso de liquidez, o crescimento mais lento da China, a atividade econômica morosa e a elevada dívida dos países desenvolvidos — aponta para a necessidade de a América Latina se empenhar mais por si própria com o objetivo de retomar as taxas de crescimento semelhantes àquelas apresentadas pela região na década passada.

Segundo o mais recente relatório semestral “Latin América and the Caribbean as Tailwinds Recede: In Search of Higher Growth“ [A América Latina e o Caribe, sem ventos a favor: Em busca de um maior crescimento], produzido pelo escritório do economista-chefe do Banco Mundial para a região, a América Latina e o Caribe deverão crescer 3,5% este ano, o que representa uma melhoria em relação à taxa de 3% registrada no ano passado, mas que ainda está abaixo da média de 5% anterior à crise econômica de 2008-2009 ou do percentual de 6% em 2010.

As taxas variam de um patamar muito baixo de 0,1% e 1% na Venezuela e Jamaica, respectivamente, até 6% no Peru, aproximadamente 9% no Panamá e acima de 11% no Paraguai.

Bolívia, Chile e Colômbia continuarão a ultrapassar a média regional com estimativas de crescimento entre 4% e 5%, enquanto é provável que Argentina e Brasil se situem abaixo da média regional, apesar de terem saltado de indicadores abaixo de 2% em 2012 para cerca de 3% em 2013.

Essas taxas de crescimento são adequadas mas insuficientes para manter o ritmo recente do progresso social que a América Latina apresentou na última década”, afirmou Augusto de La Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a região. “Por isso, a tônica das políticas está sendo reorientada dos motores de crescimento externos para os internos, assim como da preocupação com a estabilidade macroeconômica e financeira para as reformas que estimulam o crescimento. À medida que os ventos favoráveis diminuírem, a habilidade dos países latino-americanos de crescer acima de 3,5% dependerá essencialmente deles mesmos.”