Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon (à esquerda) se reúne com o presidente dos EUA Barack Obama na Casa Branca. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon (à esquerda) se reúne com o presidente dos EUA Barack Obama na Casa Branca. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Rio de Janeiro, Brasil – Em um encontro na quinta-feira (11) o presidente dos EUA, na Casa Branca, o Secretário-Geral da ONU abordou uma série de questões que vão desde o conflito na Síria e o processo de paz entre Israel e Palestina até as tensões na península coreana e a mudança climática.

Estou muito encorajado que a parceria entre as Nações Unidas e os Estados Unidos tenha no momento uma base muito sólida e esteja crescendo, e eu conto com o seu apoio contínuo sobre isso”, disse Ban a repórteres, ao lado de Obama após a reunião no Salão Oval.

Caba assinalar que, a versão foi traduzida à idioma português e divulgada pela ONU Brasil no dia 12 de abril.

Ambos os líderes elogiaram os esforços mútuos para resolver os muitos problemas que o mundo enfrenta. “Eu acho que falo por líderes mundiais em uma grande variedade de países, quando eu digo que o Secretário-Geral tem mostrado uma liderança extraordinária”, disse Obama a seu convidado.

Eu realmente aprecio a sua liderança global para tornar este mundo mais pacífico, mais próspero e onde todos os direitos humanos sejam protegidos e respeitados”, disse Ban Ki-moon. “As Nações Unidas e os Estados Unidos compartilham objetivos comuns — paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento. A este respeito, eu realmente aprecio a forte liderança e cooperação e apoio do Governo dos EUA e do Presidente Obama.”

Ban Ki-moon apelou aos líderes mundiais para assumir um esforço reforçado de liderança no conflito sírio. “Eu pedi ao Presidente Obama para demonstrar e exercer a sua liderança mais forte no trabalho em conjunto com os principais parceiros do Conselho de Segurança”, disse ele.

Ele observou que mais de 70 mil pessoas foram mortas, mais de 50% de escolas, hospitais e infraestrutura foram destruídas, mais de 6 milhões de pessoas foram deslocadas internamente, além de 1,3 milhão de refugiados deslocados para países vizinhos desde que teve início o levante contra o presidente Bashar al- Assad, em março de 2011.

Ele lamentou que o Governo sírio tenha rejeitado suas propostas de acordos para uma investigação da ONU do suposto uso de armas químicas na Síria, e pediu novamente urgência ao Governo para permitir o avanço da equipe da ONU, atualmente no Chipre, para começar a investigar o alegado uso de tais armas em Aleppo em março e em Homs em dezembro de 2012.

Lembrando ainda a crise na península coreana, Ban Ki-moon apelou às autoridades da Coreia do Norte que se abstenham de tomar quaisquer outras medidas provocativas e retóricas. “Isso não é útil. E eu elogio o presidente Obama pela firme, de princípios, porém ponderada resposta em estreita consulta com a Coreia do Sul e com o forte engajamento dos países vizinhos, como a China”, disse ele.

Esperamos que todos os países, incluindo a China, que podem ter influência sobre a Coreia do Norte, possam exercer a sua liderança e influência para que esta situação seja resolvida de forma pacífica. Em primeiro lugar, o nível de tensão deve descer. A Coreia do Norte não deve enfrentar a comunidade internacional, como eles estão fazendo agora”, acrescentou, pedindo que todas as partes interessadas — incluindo Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Rússia e Japão — a continuar trabalhando em conjunto sobre esta matéria.

Sobre o Oriente Médio, Ban Ki-moon saudou a recente visita de Obama à região. “Nós precisamos fazer todos os esforços para utilizar plenamente o impulso gerado pela visita do presidente Barack Obama para que a solução de dois Estados possa ser implementada com sucesso o mais rápido possível”, disse ele, referindo-se ao plano internacional endossado tanto por Israel quanto pela Palestina de viver lado a lado em paz dentro de fronteiras seguras.

Ban reiterou ainda sua determinação de trabalhar em estreita colaboração com os Estados-Membros para que um tratado global juridicamente vinculativo sobre mudança climática possa ser alcançado até o final de 2015. “Para que isso [seja] possível, para facilitar este processo, tenho a intenção de convocar uma reunião de líderes no próximo ano”, disse ele. “Eu convidei o presidente Obama, eu o convidei para desempenhar um papel de liderança importante para a humanidade.”