Crianças deslocadas pela violência na República Centro-Africana assistem a uma aula ao ar livre em um acampamento. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

Crianças deslocadas pela violência na República Centro-Africana assistem a uma aula ao ar livre em um acampamento. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

Rio de Janeiro, Brasil.- O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta segunda-feira (25) que todas as partes do conflito na República Centro-Africana (RCA) se abstenham de atos de violência contra civis, depois de uma semana de lutas violentas que resultaram na tomada da capital, Bangui, pela coligação rebelde Séléka no domingo (24), forçando a fuga do Presidente François Bozizé.

Em um comunicado, o Conselho condenou firmemente os recentes ataques da Séléka, assim como os saques e a violência que resultaram em várias mortes e ferimentos de soldados sul-africanos enviados para a RCA a pedido do Governo do país em conflito.

É necessário dizer que, a informação deste artigo foi traduzida à português e divulgada pela ONU Brasil, no dia 27 de março.

Também na segunda-feira, a União Africana suspendeu a participação da RCA em todas as suas atividades e impôs sanções aos líderes da Séléka, observando que suas ações violam os recentes acordos anteriores alcançados em Libreville, Gabão, e comprometem a precária estabilidade no país.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou que as crianças estão cada vez mais vulneráveis, na medida em que milhares de meninos e meninas ficaram sem acesso adequado aos serviços básicos em razão dos ataques dos rebeldes.

As mais vulneráveis são as crianças que perderam suas casas, foram separadas de suas famílias ou foram anteriormente associadas com os grupos armados”, disse a porta-voz do UNICEF, Marixie Mercado. A porta-voz lembrou que a falta de acesso tem sido um grande empecilho para os esforços humanitários, pois as estradas estão bloqueadas e há presença de grupos armados e o risco de saques. Escritórios do UNICEF em Kaga Bandoro, no centro-norte do país, foram completamente saqueados.

Os conflitos na RCA foram reiniciados em dezembro de 2012, quando a Séléka realizou uma série de ataques, tomou as principais cidades e avançou sobre Bangui antes de concordarem com negociações de paz. O acordo de paz foi alcançado em 11 de janeiro, em Libreville, firmando um cessar-fogo e a criação de um governo de unidade nacional, em que postos importantes seriam concedidos à oposição. Os rebeldes, no entanto, afirmam que o Governo falhou com seus compromissos.