Dois homens de moto acenam para um caçador tradicional conhecido no país como ‘dozo’ ao longo de uma estrada entre Man e Duékoué, no oeste da Costa do Marfim. Foto: IRIN/Nancy Palus

Dois homens de moto acenam para um caçador tradicional conhecido no país como ‘dozo’ ao longo de uma estrada entre Man e Duékoué, no oeste da Costa do Marfim. Foto: IRIN/Nancy Palus

Rio de Janeiro, Brasil.- A missão de paz das Nações Unidas na Costa do Marfim e na Libéria decidiu reforçar suas patrulhas, após um ataque de elementos armados em Petit Guiglo, na região ocidental da Costa do Marfim.

Cabe assinalar que a informação foi traduzida à Português e divulgada pela ONU Brasil, no dia 27 de março.

A Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) condenou ataque em ocorrido 23 de março em que pelo menos dois civis foram mortos e um caçador tradicional no país – conhecido como “dozo” – ficou ferido. Três dos agressores foram mortos em combate, incluindo um líder da milícia local conhecido como Oulai Tako. Além disso, dois soldados das forças armadas nacionais ficaram feridos.

Fontes locais afirmam que os agressores queimaram inúmeras casas, deixando muitas pessoas desabrigadas. Eles teriam alvejado a princípio uma posição do exército em Petit Guiglo, antes de chegar à aldeia.

A UNOCI tem apoiado a reunificação e estabilização do país do oeste africano, dividido pela guerra civil em 2002. A eleição presidencial de 2010, preparada para ser um momento estratégico no processo de paz, resultou em meses de violência, quando o ex-Presidente Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo após a derrota para Alassane Ouattara, que assumiu o cargo apenas em maio de 2011.

Segundo a nota da ONU, no ano passado o país observou o ressurgimento da violência durante vários meses, com uma série de ataques contra forças nacionais de segurança dentro e no entorno de Abidjan – maior cidade do país – e ao longo das fronteiras com Gana e Libéria.

Mais de 64 mil refugiados marfinenses permanecem na Libéria desde que a violência pós-eleitoral na Costa do Marfim os obrigou a fugir. Além disso, outros 25 mil ex-refugiados liberianos que haviam voltado para casa no ano passado continuam a precisar de ajuda humanitária.

Nos últimos dias, as forças de paz da UNOCI se deslocaram para Petit Guiglo para apoiar as forças marfinenses e proteger os civis por meio de patrulhas aéreas e por terra.

A UNOCI está em contato com a missão da ONU na vizinha Libéria – a UNMIL –, que também reforçou suas patrulhas na fronteira.

Pra garantir paz duradoura

 

Representante Especial Karin Landgren durante reunião do Conselho de Segurança. Foto: ONU/Rick Bajornas

Representante Especial Karin Landgren durante reunião do Conselho de Segurança. Foto: ONU/Rick Bajornas

Todos os liberianos devem fazer parte do progresso de seu país para garantir a paz duradoura, afirmou nesta segunda-feira (25) a Representante Especial do Secretário-Geral e chefe da Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL), Karin Landgren, ao Conselho de Segurança.

Landgren elogiou o país do oeste africano por seus avanços desde o fim da guerra civil ocorrida há duas décadas, destacando o papel da participação popular no processo de transição da segurança.

A Libéria tem mostrado ao mundo o seu compromisso com a paz duradoura – e o mundo tem mostrado seu compromisso com a paz na Libéria”, acrescentou, afirmando que os progressos no país são “inspiradores”.

A guerra civil da Libéria durou 14 anos e terminou em 2003. Cerca de 150 mil pessoas – a maioria civis – foram mortas durante a guerra, com outras 750 mil deslocadas dentro do país ou refugiadas para países vizinhos em meio à violência e a instabilidade.

Desde o fim da guerra, a ONU está presente com forças de paz no país para reforçar um acordo de cessar-fogo e ajudar a restaurar o Estado de Direito e os processos democráticos, bem como facilitar a assistência humanitária. A transição de segurança, no qual o Governo assumirá progressivamente as responsabilidades da UNMIL, começou em outubro de 2012, marcando uma nova fase para o país.

Landgren disse que, embora a Libéria tenha feito grandes avanços, ainda existem áreas com pendências. “Uma paz duradoura exigirá justiça e inclusão para todos os liberianos no progresso do país. É mais importante do que nunca, à medida que a UNMIL se retira, se mover rapidamente para enfrentar as históricas – e as atuais – divisões que são tão amplamente conhecidas”.