Representante Especial para o Iraque, Martin Kobler. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Representante Especial para o Iraque, Martin Kobler. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Rio de Janeiro, Brasil.- As demandas de dezenas de milhares de manifestantes iraquianos sobre questões de direitos humanos e de acesso a serviços básicos devem ser abordadas com urgência pelo Governo, afirmou na quinta-feira (21) o Representante Especial do Secretário-Geral para o Iraque, Martin Kobler.

È preciso dizer que a informação foi traduzida e divulgada no dia 25 de março pela ONU Brasil.

Desde final de dezembro do ano passado, milhares de manifestantes nas províncias ocidentais do Iraque vão às ruas para expressar suas queixas. O Governo tem tomado medidas para resolver algumas de suas preocupações, entretanto Kobler destacou que mais precisa ser feito, especialmente na área de direitos humanos.

[Os manifestantes] se sentem desprotegidos, inseguros e excluídos”, disse o representante ao apresentar o último relatório sobre as atividades da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI) para o Conselho de Segurança. “Em todo o país, ouvimos frustrações de manifestantes. Com o tempo, eles passaram a falar mais com mais firmeza e propor soluções mais radicais.”

Kobler também observou que, desde o início das manifestações, a UNAMI tem procurado promover o diálogo político e a reconciliação nacional entre o governo e os manifestantes. No entanto, ele avisou que a Missão não continuará neutra em caso de violações dos direitos humanos.

Temos nos expressado contra o crescente uso de linguagem sectária. Defendemos o princípio da não violência, inclusive para os manifestantes. Pedimos ao Governo para exercer a máxima moderação”, ressaltou.

A desconfiança entre as diversas comunidades do Iraque é uma constante preocupação, uma vez que membros de diversos grupos étnicos e sociais continuam a ser alvo de atos terroristas. Desde novembro, 1.300 civis e 591 membros das forças de segurança foram mortos em ataques terroristas, com mais de 4 mil pessoas feridas.

Estes desafios, agravados pelo potencial alastramento da violência do conflito na Síria, ameaçam as realizações iraquianas da última década. O Iraque abriga atualmente cerca de 120 mil refugiados sírios, a maioria deles localizados na região do Curdistão.