Bélgica. Solicitante de refúgio no centro federal de recepção em Kapellen, durante aula de idiomas. Esse centro é mantido pela Fedasil, a agência federal para recepção de solicitantes de refúgio na Bélgica. Foto: ACNUR. D. Telemans. (Fevereiro de 2011)

Bélgica. Solicitante de refúgio no centro federal de recepção em Kapellen, durante aula de idiomas. Esse centro é mantido pela Fedasil, a agência federal para recepção de solicitantes de refúgio na Bélgica. Foto: ACNUR. D. Telemans. (Fevereiro de 2011)

Rio de Janeiro, Brasil.- O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou nesta quinta-feira (21) que novos e velhos conflitos – incluindo Síria, Afeganistão, Iraque e Somália – contribuíram para elevar em 8% o número de solicitações de refúgio em países industrializados ao longo de 2012, com expressivo aumento de pedidos de refúgio feitos por sírios.

È procedente dizer que a informação, deste artigo foi traduzida é divulgada no dia 22 de março pela ONU Brasil.

Ao todo, 479.300 pedidos foram registrados em 44 países avaliados, de acordo com o relatório “Tendências de Refúgio em Países Industrializados 2012”. Recorde anual desde 2003, o número consolida a tendência de elevação observada ano após ano, com exceção de 2006.

As guerras têm forçado cada vez mais pessoas a buscar refúgio”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres. “Isto torna o sistema internacional de proteção e refúgio mais crítico do que nunca. Em tempos de guerra, insisto em dizer que os países devem manter suas fronteiras abertas àqueles que deixam seu país para salvar sua vida”, disse.

A Europa foi a região que mais recebeu solicitações de refúgio em 2012, com 355.500 pedidos em 38 países.

França. A angolana Tadidi, de 38 anos, mãe de cinco filhos, chegou a Lion em agosto de 2012. Ela deixou Luanda com três de seus filhos (12,9 e 6 anos) de caminhão, e foi até Kinshasa (Congo) antes de embarcar para Paris. De lá, tomou um trem para Lion e solicitou refúgio. A viagem custou Û 9000, na moeda local. Foto: ACNUR, J. Tanner. (Março de 2013)

França. A angolana Tadidi, de 38 anos, mãe de cinco filhos, chegou a Lion em agosto de 2012. Ela deixou Luanda com três de seus filhos (12,9 e 6 anos) de caminhão, e foi até Kinshasa (Congo) antes de embarcar para Paris. De lá, tomou um trem para Lion e solicitou refúgio. A viagem custou Û 9000, na moeda local. Foto: ACNUR, J. Tanner. (Março de 2013)

Segundo informação oficial, em 2011 o total de solicitações foi de 327.600. No continente, a Alemanha lidera, com 64.500 solicitações de refúgio – um aumento de 41% em relação a 2011. É seguida pela França, com 54.900 solicitações – aumento de 5%; e Suécia, com 43.900 solicitações – aumento de 48%.

Um crescimento de 33% nos pedidos feitos à Suíça (25.900) quase equiparou o país ao Reino Unido, que teve 27.400 pedidos, representando um aumento de 6%.

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Solicitações de refúgio em 44 países industrializados. Imagem: ACNUR

De modo geral, os Estados Unidos foi o país que mais recebeu solicitações de refúgio (83.400), 7.400 pedidos a mais que em 2011. A maior parte destas solicitações foi de nacionais da China (24%), México (17%) e El Salvador (7%).

A região nordeste da Ásia, Austrália e Nova Zelândia também observaram aumentos nos números de pedidos de refúgio, porém abaixo da média mundial. Japão e a Coreia do Sul registraram 3.700 novas solicitações em 2012, 28% a mais que em 2011. O número de pessoas que buscam refúgio na Austrália saltou em 37%, com um total de 15.800 pedidos registrados em 2012.

Jordânia. Enrolada em um cobertor fornecido pelo ACNUR, Alima é retratada no corredor do prédio em que mora com a família. Apesar do frio, ela se diz feliz por ser uma das poucas crianças a ter um gorro para aquecer a cabeça. Foto: ACNUR. B. Sokol. (Dezembro 2012)

Jordânia. Enrolada em um cobertor fornecido pelo ACNUR, Alima é retratada no corredor do prédio em que mora com a família. Apesar do frio, ela se diz feliz por ser uma das poucas crianças a ter um gorro para aquecer a cabeça. Foto: ACNUR. B. Sokol. (Dezembro 2012)

De acordo com ONU Brasil, entre os países avaliados no relatório, os padrões do aumento nos últimos cinco anos variaram significativamente. Comparado ao tamanho de suas populações, Malta, Suécia e Liechtenstein têm mais solicitantes de refúgio que os outros países – 21,7 por mil habitantes, 16,4 por mil habitantes e 16,1 por mil habitantes, respectivamente.

Se a comparação for feita com base no tamanho da economia do país, França, Estados Unidos e Alemanha lideram o ranking – 6,5 solicitantes por dólar per capita do PIB, 6,2 e 5,2, respectivamente.

Bulgária. Solicitante de refúgio em seu quarto no centro de recepção em Banya. Na Bulgária, os solicitantes de refúgio recebem abrigo, assistência médica e uma ajuda financeira emergencial enquanto aguardam a finalização de seus processos. Foto: ACNUR/ G. Sopronyi. (Dezembro 2011.)

Bulgária. Solicitante de refúgio em seu quarto no centro de recepção em Banya. Na Bulgária, os solicitantes de refúgio recebem abrigo, assistência médica e uma ajuda financeira emergencial enquanto aguardam a finalização de seus processos. Foto: ACNUR/ G. Sopronyi. (Dezembro 2011.)

Afeganistão e Síria são os principais países de origem

O Afeganistão permanece no topo da lista de países de origem dos solicitantes de refúgio, com 36.600 pedidos em 2012 (em 2011 eram 36.200). Em seguida aparece a Síria com 24.800 solicitações, indicando que o conflito colocou o país em 15º lugar, elevando em 191% o número de pedidos feitos por seus cidadãos. Sérvia (incluindo Kosovo) está em terceiro lugar com 24.300 pedidos, um aumento de 14%.

Líbano. Bushra, a milionésima refugiada síria registrada pelo ACNUR, com seu filho em Tripoli. Foto: ACNUR. G. Beals. (Março de 2013)

Líbano. Bushra, a milionésima refugiada síria registrada pelo ACNUR, com seu filho em Tripoli. Foto: ACNUR. G. Beals. (Março de 2013)

Diz nota divulgada no dia 22 de março pela ONU Brasil que, um número grande de solicitações também foi feito por cidadãos da China (24.100) e Paquistão – 23.200, o maior já registrado, representando um aumento de 21% em relação a 2011.

O número de solicitações de refúgio não é igual ao número de pessoas que têm o status de refugiado reconhecido, como também não é um indicador de imigração.

Na maior parte dos casos as pessoas que procuram refúgio preferem permanecer em países vizinhos ao seu, com a esperança de um dia voltar para casa.

Um exemplo é a Síria, cujos 24.800 pedidos feitos nos países industrializados não se comparam aos mais de um milhão de refugiados sírios registrados nos países vizinhos. No entanto, as solicitações podem refletir a conjuntura global de segurança e os riscos políticos: onde há mais conflito há mais refugiados.

Solicitantes de refúgio chechenos no Centro de Acolhida em Bial Podlaska, Polônia . Foto: ACNUR / B. Szandelszky. (Junho de 2010)

Solicitantes de refúgio chechenos no Centro de Acolhida em Bial Podlaska, Polônia . Foto: ACNUR / B. Szandelszky. (Junho de 2010)

O ACNUR publica dados sobre os refugiados no mundo, sobre deslocados internos e sobre os solicitantes de refúgio no seu relatório anual “Tendências Globais”, disponível no site internacional do ACNUR. O próximo documento está previsto para junho de 2013.

Clique aqui para baixar o relatório “Tendências de Refúgio em Países Industrializados 2012”.