Reunião de alto nível debateu estratégias para tornar sociedades mais resilientes. Mais de 11 milhões de pessoas morreram devido à seca desde 1900.

 

Foto: FAO/Giulio Napolitano

Foto: FAO/Giulio Napolitano

Rio de Janeiro, Brasil.- Para tornar as pessoas mais resilientes a secas, os governos precisam criar planos nacionais coordenados que incorporem a preparação, o monitoramento e os serviços de informação sobre a seca, pediram nesta quinta-feira (14) funcionários das Nações Unidas ao final de uma reunião internacional de alto nível em Genebra.

Cabe assinalar que a informação foi Traduzida e divulgada pela ONU Brasil no dia 15 de março.

Em uma declaração conjunta, os chefes da Organização Meteorológic a Mundial (OMM), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), além de outros parceiros, afirmaram que “os quadros legais políticos nacionais que melhoram a previsão de seca e tornam esta informação disponível de modo que as comunidades possam agir são indispensáveis”.

Eles observaram que, enquanto as políticas nacionais de seca variam de acordo com as circunstâncias locais de um país, o desenvolvimento sustentável é a chave para comunidades mais resilientes, “permitindo que as famílias escapem da armadilha de depender da ajuda alimentar de emergência”.

A resiliência também torna possível evitar as respostas de curto prazo que degradam a terra e buscar ações que restaurem áreas afetadas pela seca, acrescentaram os funcionários da ONU.

O papel dos agricultores é essenciais na preparação para a seca, afirma a declaração, citando a utilização de variedades resistentes à seca e técnicas que aumentam a fertilidade do solo como formas de aumentar a produtividade e sustentabilidade na agricultura propensa à seca.

Esses recursos devem ser introduzidos de forma a encorajar os agricultores e outros produtores rurais para que sejam autossuficientes na gestão de variabilidade climática”, disseram.

Desde 1950, terras secas aumentaram quase 2% em todo o mundo por década, segundo dados da declaração.

As secas têm afetado principalmente as regiões do Chifre de África e do Sahel, EUA, México, Brasil, partes da China e da Índia, Rússia e o sudeste da Europa. Além disso, 168 países afirmam ser afetados pela desertificação, um processo de degradação do solo em terras secas que afeta a produção de alimentos e é agravado pela seca.

A seca é uma das causas mais comuns da falta de alimentos, particularmente em países em desenvolvimento”, disse o Representante Especial do Diretor-Geral da FAO, Ann Tutwiler.

Mais de 11 milhões de pessoas morreram e outras 2 bilhões foram afetadas por secas desde 1900, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR).

Quase metade da população mundial estará vivendo em áreas com grande escassez de água até 2030”, alertou o Secretário Executivo da UNCCD, Luc Gnacadja.

A reunião ocorreu a poucos dias do Dia Mundial da Água, lembrado anualmente em 22 de março. O tema deste ano é a cooperação internacional, ecoando o Ano Internacional de Cooperação pela Água – comemoração aprovada pela Assembleia Geral da ONU para 2013.