B5 Foto OIT Brasil. -LIMA, Perú– Press Release OIT.- A OIT informou hoje que a estagnação da economia europeia vai persistir gerando incertezas na economia e enfatizou a necessidade de fortalecer uma série de instituições laborais para evitar que isto se reflita em uma deterioração dos mercados de trabalho na América Latina.

“Consolida-se a perspectiva de que a economia mundial deverá conviver com uma Europa estagnada por vários anos”, disse a Diretora Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, na apresentação de uma nova série de “OIT Notas” que inclui análise de casos da Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai.

Cabe assinalar que, a informação, trazuzida à português, foi divilgada no dia 12 de março pelo escritorio da OIT no Brasil.

A publicação da OIT destaca que a situação europeia afetou a dinâmica da economia mundial na qual também deve ser considerado “o fraco crescimento nos Estados Unidos, uma desaceleração do crescimento da China, enquanto que o Japão está entrando em uma nova recessão”.

“A persistente incerteza faz necessário determinar as políticas que os países teriam que adotar no campo laboral no caso de uma piora da situação”, disse Tinoco. Acrescentou que neste momento os países da região podem fazer esta reflexão sem a urgência imposta pelas crises, o que é positivo considerando que várias das medidas propostas “necessitam tempos relativamente longos para sua implementação”.

A análise recorda que a crise internacional de 2008 encontrou a região bem preparada depois de um ciclo de crescimento econômico positivo de vários anos. Em vários países foram adotadas medidas anticíclicas que, combinadas com uma reanimação da demanda externa, principalmente da Ásia, permitiram “uma recessão curta e uma rápida recuperação do crescimento com criação de empregos”.

Depois da crise, a situação regional apresenta diferenças. O crescimento foi mantido ainda que ao longo de 2012 tenha mostrado sinais de desaceleração, e além disso o período de crescimento desde então foi “muito curto e insuficiente para reconstruir a margem de ação fiscal” dos países.

Além da situação da Europa, existem fatores de risco como a possibilidade de uma menor demanda de matérias primas por parte da China, as dificuldades para conseguir um acordo sobre a política fiscal nos Estados Unidos, a possibilidade de choques que derivem em altas do petróleo, as pressões inflacionárias que se registram nos preços dos alimentos, ou tensões específicas que afetam alguns setores exportadores, industriais ou o setor imobiliário.

A análise propõe aos países que revisem a institucionalidade laboral com que contam para amortecer o impacto sobre o emprego e a renda das pessoas, o que permitiria levar em consideração medidas como:

  •  Privilegiar investimentos públicos com mais empregos
  • Investir recursos para manter o crédito às empresas, especialmente as pequenas empresas
  • Estabelecer mecanismos de proteção do emprego e facilitar a negociação coletiva
  • Desenvolver sistemas de proteção diante do desemprego
  • Contar com uma política de salário mínimo para proteger o poder aquisitivo
  • Estimular políticas de capacitação e intermediação laboral
  • Manter os programas de transferências condicionadas
  • Implementar programas de empregos de emergência diante de altas importantes do desemprego
  • Monitorar os direitos básicos no trabalho e fomentar o diálogo social

Tinoco destacou que a América Latina “realizou avanços importantes em sua institucionalidade laboral em cada uma destas políticas, mas ainda existe muito para fazer”.

Nesse sentido, destacou que “é possível aprender das próprias experiências da região, e por isso é interessante conhecer com maiores detalhes como os diferentes países se preparam para enfrentar eventuais efeitos da crise europeia”.

As OIT Notas são uma série de publicações realizadas pelo Escritório Regional para a América Latina e o Caribe com a finalidade de facilitar a troca de informações sobre experiências exitosas entre os formuladores de políticas, governos, organizações de trabalhadores e organizações de empregadores na América Latina.

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