• Após lutar contra a violência durante 30 anos, o Complexo do Alemão vive dias mais tranquilos e atrai os turistas
  • Os moradores agora contam com melhores escolas, postos de saúde e serviços de transporte
  • O teleférico – mostrado diariamente na novela Salve Jorge — reduziu o tempo de viagem no morro

 

O teleférico do Complexo do Alemão é composto por seis estações e 152 gôndolas (para oito passageiros cada).Mariana Ceratti / Banco Mundial

O teleférico do Complexo do Alemão é composto por seis estações e 152 gôndolas (para oito passageiros cada).
Mariana Ceratti / Banco Mundial

Brasília DF, Brasil.- Por décadas, os moradores do Complexo do Alemão, 16 km ao norte do centro do Rio de Janeiro, viveram amedrontados.

Cabe assinalar que a informação foi divulgada no dia 6 de março pelo Banco Mundial.

Em alguns dias, os conflitos entre os traficantes de drogas e a polícia eram tão intensos que as pessoas não ousavam sair de casa: “Somente em caso de emergência médica”, lembra Tatiana Modesto, gerente da Clínica de Saúde da Família no Alemão.

No entanto, desde que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) retomou a área, em novembro de 2010, os 110 mil moradores têm mais tranquilidade.

Eles também desfrutam de melhores serviços de saúde e educação por meio da UPP Social, uma iniciativa apoiada pelo Banco Mundial. O programa é administrado pelo Instituto Pereira Passos, que coordena projetos de desenvolvimento econômico na cidade do Rio.

Cuidados preventivos

O UPP Social destinou recursos para a construção e a manutenção de uma nova Clínica de Saúde da Família e de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), entre outros benefícios.

Na clínica, a comunidade tem acesso a atendimento de saúde preventivo. “Em caso de emergência, o paciente segue para a UPA, localizada no mesmo prédio”, explica Modesto. “Ambos os serviços têm como objetivo desafogar os hospitais públicos”, acrescenta.

A UPP Social também é responsável pelo projeto Escolas do Amanhã no Complexo do Alemão. Nas cinco escolas participantes, as crianças podem frequentar aulas em período parcial ou integral.

Elas têm acesso a laboratórios de informática, aulas de arte e agora estão aprendendo a falar inglês”, conta Eliane Sampaio, diretora da Escola Affonso Várzea. Em toda a escola, cartazes com personagens da Turma da Mônica ensinam frases em inglês à garotada.

Aqui, as crianças têm acesso a laboratórios de informática, aulas de arte e agora estão aprendendo a falar inglês” diz Eliane Sampaio, Diretora da Escola Municipal Affonso Várzea, no Complexo do Alemão

Rápido e seguro

Até julho de 2011, subir e descer as ladeiras no Complexo do Alemão poderia levar até duas horas. Nos pontos desprovidos de transporte público, os moradores tinham apenas duas opções: tomar um transporte clandestino – carro, van ou motocicleta – ou ziguezaguear a pé pelas vielas da comunidade.

Desde que o teleférico foi aberto ao público, os moradores do local dispõem de uma alternativa mais segura e prática. Agora, gastam-se apenas 16 minutos para percorrer a distância entre o topo e o sopé do morro (3,km). A comunidade é atendida por 152 gôndolas (para oito passageiros cada) e seis estações.

O teleférico é rápido e confortável”, elogia Wilmar Raposo, lavador de carros, 58 anos. “Além disso, quem mora aqui pode usar esse transporte de graça duas vezes por dia, para ir e voltar de qualquer estação.”

Mais transporte

O Banco Mundial e a prefeitura do Rio de Janeiro têm uma parceria para estimular o uso do transporte público na cidade. Entre os resultados desse trabalho, está a criação de cartões de transporte que permitem aos usuários pagar diversas passagens. Um deles, o RioCard, é válido no Teleférico do Alemão.

Ambas as instituições também estão colaborando no Segundo Projeto de Transporte de Massa do Rio de Janeiro, que financiará a compra de pelo menos 120 trens para o sistema ferroviário da região metropolitana da cidade até 2017.