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Rio de Janeiro, Brasil.- Um relatório divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) mostra que os mercados transnacionais do crime organizado e os grandes lucros que geram continuam alimentando a instabilidade e entravam o desenvolvimento na África Ocidental.

É procedente dizer que, a informação foi divulgada, no idioma português, no dia 26 de fevereiro, pela ONU no Brasil.

O relatório “Crime Organizado Transnacional na África Ocidental: uma avaliação da ameaça” analisa a dinâmica dos mercados-chave do crime e fornece recomendações para a comunidade internacional para resolver estes problemas.

O crime organizado transnacional é claramente uma ameaça séria para a África Ocidental”, diz Pierre Lapaque, Representante Regional do UNODC para a África Ocidental e Central. “As instituições do Estado e o Estado de Direito são fracos na maioria desses países e, a menos que se lide com esses crimes organizados, a instabilidade tende a persistir e aumentar.”

O tráfico de cocaína é a atividade criminosa mais lucrativa. Embora o fluxo de cocaína através da região tenha caído para cerca de 18 toneladas por ano em 2010, de um pico de 47 toneladas em 2007, os lucros deste comércio ilegal podem ser ainda maiores do que os orçamentos de segurança nacionais de vários países da região.

Enquanto no passado a cocaína era propriedade de grupos sul-americanos que simplesmente faziam uso dos serviços de logística de África Ocidental, hoje em dia os grupos criminosos da África Ocidental são cada vez mais independentes em trazer as drogas para sua região.

A cocaína não é a única droga ilegal que afeta a região, no entanto. Um desenvolvimento preocupante é o surgimento da produção e tráfico relacionado de metanfetamina.

Dois laboratórios foram detectados na Nigéria, em 2011 e 2012, e cerca de 3 mil transportadores de metanfetamina viajaram da África Ocidental para a Ásia Oriental em 2010, transportando drogas no valor de cerca de 360 milhões de dólares. Além disso, a heroína é cada vez mais detectada na região – outra indicação de que grupos criminosos da África Ocidental estão desempenhando um papel mais proeminente neste mercado transnacional também.

Outros mercados criminosos discutidos no relatório incluem o contrabando de migrantes da África Ocidental para a Europa, o tráfico de medicamentos fraudulentos da Ásia para a África Ocidental e a pirataria marítima na região.

Enquanto as tendências e os lucros desses esses mercados variam, o seu potencial para causar a corrupção, promover conflito e impedir o desenvolvimento continua a ser demasiado grande para que a região consiga lidar com eles por si própria.

Os Estados da África Ocidental precisam fazer mais em termos de coleta e partilha de informação, coordenação regional na aplicação da lei e serviços melhorados de tratamento da toxicodependência e reabilitação, para citar algumas recomendações, mas vão precisar do apoio da comunidade internacional para fazer um progresso substancial na redução do impacto negativo que a criminalidade organizada transnacional tem sobre o desenvolvimento da região, afirma o relatório.

Acesse o documento em inglês clicando aqui.